quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O Edgar, foi um bom cãopanheiro...

O Edgar, foi um bom cãopanheiro, um bom cãopincha e um grande cãomarada, com quem tive a honra e orgulho de partilhar a minha vida...
Com a sua partida, partiu-se um pouco de mim, chegando ao fim de um caminho sem saída.
Acãopanhou este ruinoso projecto desde o início e prestou os seus melhores serviços, como um modelo de eleição e perfeição, sem nunca se cansar...
Sentirei muito a tua falta, meu bom cão, Edgar...
Foste o melhor cãolaborador e alegre assistente, que muito contribuíste para o sucesso deste nosso projecto, o Ruin'Arte...
As ruínas a que emprestaste a tua fotogenia, enchem-se de magia e irão imortalizar-te.
Sem a tua assídua presença uma boa parte destes trabalhos nunca teria tido o mesmo impacto...
Tínhamos um pacto! O Edgar posava e passava, compondo a compasso cada imagem que enquadrava...
Preenchendo cada espaço com a sua esbelta figura, sempre com a mesma vivacidade e ternura.
Formou comigo uma equipa que percorreu montes e vales , tendo sido fotografado nas melhores imagens e momentos, que coleccionei ao longo destes tempos.
Com ele estabeleci uma relação, com harmonia e simpatia que dificilmente terei novamente, assim outro cão, um dia...
Conheci-o no canil de Monsanto no dia em que completei 38 Outonos, e foi um amor à primeira vista...
O Edgar espontaneamente, cãoprimentou-me efusivamente , até hoje fomos inseparáveis...
Muito passeámos, fizemos viagens, vivemos intensamente momentos inolvidáveis...
Era um cão nobre de alma, de porte altivo, educação esmerada e indefinida raça,
Tinha uma postura calma, o olhar vivo, intuição apurada e mania da caça.
Nunca fui o seu dono, pois nunca se pode ser dono de um amigo, éramos simplesmente dois seres que se respeitavam...
Éramos unidos por uma saudável energia a que se chama amizade...
 Que com lealdade e fraternidade se mantém acesa até uma das chamas se apagar...
Obrigado por tudo, meu bom cão, Edgar...
Com ele tive aventuras, alegrias e agruras...
Ruinosos momentos, que com saudade guardarei e para sempre lembrarei...
 Despedi-mo-nos com a alegria  e com a certeza de nos reencontrar um dia... 
Simultaneamente com a agonia e com a tristeza de nos separar...
 
 Muita falta nos farás, meu bom cão, Edgar...
Ficou em paz e com um caminho de LUZ para percorrer até ao céu dos cães, onde certamente, será feliz novamente...
Meu grande amigo, desejo-te uma boa viagem, e por tudo te agradeço novamente...
Tenho a certeza que quando reencarnares, serás gente!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Palácio da Fonte da Pipa - Loulé

Por me ter deslocado recentemente ao Algarve para fotografar a fabulosa "Casa do Pai", cujo projecto pretende torná-la na mais faustosa casa algarvia do século XXI, onde nada se poupou em requintes de "bemvadez" que fará corar um xeique das arábias...
Aproveitei  a oportunidade uma vez que me encontrava na vizinhança, para fotografar também a mais faustosa casa do Algarve do século XIX... o Palácio da Fonte da Pipa, em Loulé... foi um dia em cheio!
Quando iniciei este projecto, pesquisei no cibernético espaço alguns potenciais candidatos que justificassem uma ruinosa reportagem, e encontrei um manancial de oportunidades que exigiam um  enorme esforço logístico pela distância a que se encontravam...
Fui ainda várias vezes avisado por leitores deste nosso blogue da existência desta autêntica pérola, este palácio era um dos mais apetecidos troféus que finalmente consegui conquistar.
A sua imerecida fama prende-se essencialmente em histórias de assombração, tendo sido alertado várias vezes por populares, dos "perigos" que poderia encontrar, mas ninguém me avisou do vislumbre que iria testemunhar...
Segundo se conta, à laia de mito urbano, a filha de um proprietário terá falecido na quinta e há quem a tenha visto à janela da torre, na minha opinião é mais uma história da carochinha para afastar os curiosos, sem ter algum fundamento...
Há também outra versão que terão sido sepultadas na propriedade, vítimas da gripe espanhola, a tenebrosa pneumónica nos anos de 1916-18, e hoje ainda deambulam as suas penadas almas por este aprazível local.
À semelhança da "Casa do Pai", o seu construtor não se fez rogado em conceber uma residência digna das mil e uma noites, materializando a sua cultura e fortuna através de uma opulenta morada.
Foi em 1875, após uma viagem pelo Norte da Europa, que Marçal de Azevedo Pacheco se inspirou, e aqui erigiu a sua casa de sonho, com a intenção de receber a régia visita de El Rei D. Carlos, que acabou por ficar em Estói.
Marçal de Azevedo Pacheco, foi um homem de estado, Presidente da C. M. de Loulé, deputado do Partido Regenerador pelo circulo de Macedo de Cavaleiros, Par do Reino,  Sub-Director Geral do Ministério da Justiça, Presidente do Tribunal do Contencioso Administrativo do distrito de Lisboa, entre outros importantes cargos, foi também tio de um dos nossos melhores ministros das Obras Públicas, o Engº Duarte Pacheco.
Esta propriedade, foi na altura crismada como Quinta da Esperança, embora esse nome nunca tenha vingado por este local já há muito ser conhecido por Fonte da Pipa, por aqui haver uma antiga fonte que saciava os mais sedentos louletanos.
Para executar com a arte necessária tão elaborada obra, cumprindo rigorosamente cada cómodo como uma verdadeira obra prima de pintura decorativa, foi contratado para o efeito, José Pereira Júnior (Pereira Cão).
Pereira Cão era um pintor e ceramista que já tinha dado provas de raras habilidades artísticas, aquando a sua intervenção no Real Palácio da Ajuda, restaurando e decorando-o, pela ocasião do casamento do príncipe D. Luís.
Pelo esmero da construção e decoração, o tempo decorreu sem pressas e a obra estava ainda inacabada no ano de 1896, quando faleceu o seu ilustre proprietário vitimado por uma grave doença, nunca chegando a tirar partido deste local de sonho.
Foi em 1920 adquirido por Manuel Dias Sancho, um abastado cidadão de S. Brás de Alportel, que detinha na altura uma casa bancária com o seu nome. A casa foi então acabada tendo sido introduzidas melhorias ao projecto inicial.
A decoração dos jardins e a electrificação do palácio foram então a sua prioridade. Seguindo um estilo  inspirado nos mosaicos de Gaudi, utilizando conchas, porcelanas, cascas de caracol entre outros elementos decorativos, como incrustações nos bancos e mobiliários de jardim.
A crise financeira que abalou o mundo em 1929, e a crise política que na altura grassava em Portugal levou muitas empresas à insolvência tendo feito graves mazelas nos bolsos de muita gente, ditando a sorte deste senhor, cuja fortuna foi severamente abalada.
Viu as suas propriedades serem confiscadas para cobrir os prejuízos da sua casa bancária, e esta ser absorvida pelo Banco do Algarve, tal como o palácio aqui retratado.
O palácio foi então adquirido a este banco, por Francisco Guerreiro Pereira, um rico proprietário algarvio que edificou em 1935, na cidade de faro, o Palacete Guerreirinho, um dos mais belos projectos de Norte Júnior.
A dedicação a uma das suas maiores paixões, resultou num grande contributo à Fonte da Pipa,  o enriquecimento do jardim com plantas exóticas que ainda hoje existem e subsistem, fazendo do matagal envolvente uma notável colecção arbórea.
Por morte deste último proprietário, em 1948 a quinta foi herdada pelo seu filho primogénito, o Dr. António Guerreiro Pereira Júnior, um eminente médico de Faro, que a manteve até 1981, ano em que a vendeu à sociedade "Quinta da Fonte da Pipa, Urbanizações, Lda".
Esta sociedade idealizou para aqui um projecto cultural e centro de congressos, onde chegaram a acontecer algumas exposições e outros eventos, que tiveram na altura um sucesso imediato. Para poder explorar a propriedade em pleno, foi proposto um projecto que previa a construção de uma série de infra-estruturas no terreno de 30 hectares, o que ainda não teve aprovação desde 1981... desde então que os actuais proprietários impacientemente aguardam que o seu avultado investimento consiga gerar emprego, cultura, e quiçá alguns euros... enquanto assistem impotentes à degradação desta magnífica casa.
Até que aconteça algo neste País à beira mar abandonado, muitas jóias como estas estão condenadas ao marasmo e à ruína. Há autênticos "burrocratas", que ou não querem ter trabalho, ou não querem ver Portugal a prosperar.


Fonte : http://designersdeinteriores.blogspot.pt/2008/09/palacete-da-fonte-da-pipa.html

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