quarta-feira, 13 de novembro de 2013

4 e 5 anos de Ruin'Arte


 Forte do Areeiro - Santo Amaro de Oeiras

Como é que passa um aniversário sem sequer se dar por isso?? E ainda por cima são dois num só, uma dobradinha...

 Ponte - Oriola

Este nosso projecto, embora tenha sido germinado em 1987, nasceu apenas em 7 de Novembro de 2008, e o blogue a 3 de Novembro de 2009, um duplo aniversário quase na mesma data, e desta vez comemorado com a maior exposição feita na cidade capital, onde consegui reunir umas dezenas de bons amigos...

 Cine-Teatro - Portela de Sintra

Foi sem dúvida uma consagração, nunca pensei que poderia algum dia ser digno deste sucesso e de tão calorosas amizades.

 Prédio Pombalino - R. do Alecrim - Lisboa

A todos vós, que me apoiaram, seguiram, comentaram, e ajudaram nesta ruinosa demanda.... um ENORME OBRIGADO!!!

 Cascais - Próximo da Estação CP

É precisamente esse sucesso social que vai alimentando este projecto, além de um grande "amor à camisola", sem ele há já muito que teria desistido... pois ruína, é neste momento o meu nome do meio... mas valeu a pena... senão vejamos:

 Fábrica de Cortiça Tavares - Montijo

Visitei e fotografei perto de um milhar de ruínas, editei mais de 3000 imagens, coloquei 215 posts no blogue, realizei 22 exposições, fui palestrante em seminários, colunista no Jornal público, fui à televisão e à telefonia, fui entrevistado umas dezenas de vezes, tendo sido publicado em quase todos os jornais de relevo e algumas revistas, está um livro em prancha, fui eleito como melhor blogue de Arquitectura do ano de 2012, onde tive mais de 500.000 visualizações de páginas e juntei 600 seguidores, mais de 2000 amigos no Facebook, fiz amigos de Norte a Sul do País, conheci uma grande mulher, os meus filhos orgulham-se ainda mais, (já se orgulhavam)... e acima de tudo, contribuí para a história de Portugal, inscrevendo o meu nome na posteridade e, continuo teso, mas feliz...

 Hotel Netto - Sintra

Muitas histórias escrevi, e muitas mais tenho para contar... mas entre visitar, editar, pesquisar e escrever, nem sempre o tempo disponível é suficiente para dar vazão a tanto trabalho... e ainda tenho que preparar exposições, reuniões...e por vezes tenho uns trabalhos, que me vão dando alguns euros e cabelos brancos...

 Sanatório da Marinha - Caramulo

Embora o vil metal seja fundamental para sobreviver nesta sociedade, há coisas muito mais importantes na vida do que ser financeiramente saudável, é ter um projecto e uma missão!!!

 R. da Madalena - Lisboa

Não sei se é Karma, ou efeito borboleta, mas é certo que o Ruin'Arte já contribuiu, embora no anonimato, para a recuperação de monumentos, agitou águas e fez ondas... também sensibilizou inúmeros cidadãos para este ruinoso flagelo e criou uma tendência fotográfica...

 
 Casa do Conde de Almoster - Sintra

Posso parecer convencido, mas os factos estão à vista e nunca me senti tão certo e em tão bom caminho... estou para ficar, até uma ruína me cair em cima o que espero nunca acontecer...

Fundição Barbosa & Irmão - Crestuma

Mas muito caminho há ainda para percorrer e este trabalho nunca terá fim, pelo menos enquanto houver ruínas e força anímica para as desbravar...

 Cinema Batalha - Porto

Muito gostava de repartir esforços, fazer uma associação que desse mais força a este nosso projecto e impulsionasse profissionais em vários sectores...

 Palácio dos Duques de Cadaval (cavalariças) - Tentúgal

Pesquisa histórica, escrita criativa e jornalismo, vendas e merchandising, relações públicas e angariação de patrocínios, organização de passeios e visitas ruinosas, palestras, exposições e eventos vários... 

 Armazéns Frigoríficos de Massarelos - Porto 

Estou aberto a propostas que possam ajudar a desenvolver Portugal e o seu vasto e depauperado património... 

 R. Dr. Carlos Cal Brandão - Porto

Não prometo sucesso financeiro, mas posso prometer a glória de algo fazer por Portugal... além de muitas ruinosas aventuras, cheias de adrenalina e êxtase fotográfico...

Av. Sidónio Pais - Porto

Neste projecto há espaço para muita gente que queira fazer algo por si e pelo País, com esforços reunidos poderemos ir bem mais longe, o nosso património necessita de mais intervenção e as massas devem ser sensibilizadas.

 Central do Freixo - Porto

Num País onde escasseia o emprego, com este projecto poder-se-iam criar vários postos de trabalho, é apenas uma questão de estratégia... e bem que preciso de colaboração...

 EIP - Porto

Não sou apologista de estar "orgulhosamente só", e "antes bem acompanhado do que só"...
R. do Bom Sucesso - Porto

Isto sem qualquer desrespeito por todos aqueles que me têm ajudado, mas ajuda a tempo inteiro seria muito melhor...
 R. Azevedo de Albuquerque - Porto

Mas a maior ajuda que poderia ter agora, seria um mecenas... em troca darei apoio fotográfico, na qualidade de fotógrafo de publicidade e arquitectura, além da presença em todas as iniciativas deste projecto, que conta como sabem, com vinte e duas exposições, e muitas mais virão.

 R. de Miragaia - Porto (já derrocado)

Empresas como a Hahnemühle, que generosamente se prontificou a apoiar as exposições com magníficas impressões no melhor papel do mundo, a LFMPRO e o seu profissionalíssmo laboratório, a Felisberto Oliveira com apoio logístico das melhores molduras produzidas em Portugal, e a Terra Esplêndida com apoio expositivo, sem as quais nunca poderia ter levado a cabo e com tanta categoria estas exposições...

 Fábrica Copal - Porto

Procuro empresas de construção, banca e seguros, distribuição, que tenham protagonismo em todo o território, pois seria uma forma de fazer um levantamento a nível nacional enquanto satisfazia fotográficamente um cliente... alvíssaras a quem encontrar um bem-feitor.
 Casa da Pesca do Marquês de Pombal - Oeiras

As deslocações implicam gastos e estadias, e neste momento estou circunscrito ao meu código-postal, é-me impossível continuar a cumprir distâncias, são incontáveis os milhares de quilómetros que já percorri...
 Radares da Serra da Estrela

Outra necessidade, é uma galeria de arte que possa gerir com dignidade todo este espólio, e representar o Ruin'Arte em Portugal e no estrangeiro.
 Sanatório Infantil - Caramulo

Em nome do património, também a comunicação social devia estar mais atenta, pois sem ela, a mensagem tem um raio de acção muito mais curto. Por mais que contacte com canais de televisão e outros órgãos de comunicação, estes estão mais virados para a Casa dos Segredos, e outros "interessantes assuntos" que movem a opinião pública...
 Capela de S. Faraústo - Oriola

Deveria haver um programa pelo menos semanal, dedicado ao nosso património e a todas as interessantíssimas histórias que este tem para contar, e garanto que teria audiências!
 Casa da Torre - Oeiras (demolida)

Não sou eu que procuro protagonismo, é o património que dele necessita cada vez mais!
 Villa Marta - Parede

É uma causa que pertence a dez milhões de almas lusitanas, e faz a diferença com a Europa dita civilizada, esta recuperou de duas guerras mundiais, e nós não demos conta do terramoto, o nosso atraso em relação ao velho continente já vai em duzentos e cinquenta e oito anos e doze dias!!! 
 Av. da Boavista 2756 - Porto

Há países tais como o Egipto e Itália, que vivem do turismo das ruínas, atraem curiosos e estudiosos, que as visitam para se instruir e viver românticos momentos... se for essa a estratégia nacional, daqui por dois mil anos começaremos a receber visitantes de todo o mundo e seremos então mais prósperos.
Quinta do Infantado - Loures

Ou então poderíamos RESTAURAR PORTUGAL, devolvendo à Nação tudo aquilo que tanto lhe custou a erigir e a manter durante tantas gerações.

 Bataria do Casalinho - Setúbal

Se explorássemos as propriedades abandonadas, nunca a TROIKA cá teria posto os pés e as mãos... haveria emprego para todos e seríamos a vanguarda europeia, temos condições para isso, muito mais do que outros países economicamente saudáveis.
 Moinho da Desgraça - Setúbal

Segundo as contas de um bom amigo, versado em estatística e economia, se tivessem suprimido uma faixa de auto-estrada de cada lado, entre Lisboa e Évora, poder-se-ia ter recuperado a maior parte das ruínas portuguesas, gerando vinte mil milhões de euros num ano... de acordo com os valores uma reabilitação que levou a cabo, tendo com ela conquistado cinco prémios mundiais... deu trabalho e valeu a pena!
 Quinta do Paço da Serrana - Boassas - Cinfães do Douro

A reabilitação do património, não só é possível, como é rentável! E acima de tudo preserva os nossos melhores valores, culturais, sociais e económicos...
Vila Formosa - Frazão - Paços de Ferreira

As próximas gerações, cada vez mais instruídas, ficarão pasmadas com a quantidade de atrocidades cometidas em nome do desenvolvimento, nunca nos poderão perdoar a perda de tantas riquezas...
Palácio do Visconde da Gandarinha - Sintra

Pela Restauração de Portugal, preservando o passado, rentabilizando o presente e assegurando o futuro, seria certamente a melhor solução para a saída da crise!

sábado, 2 de novembro de 2013

Restaurar Portugal

No âmbito das comemorações do Dia da Independência, irá ser inaugurada a maior exposição Ruin'Arte jamais feita na cidade capital...

O evento terá lugar na sede da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal , no Largo de S. Domingos 11 (ao lado do Teatro D. Maria II), dia 7, 5ª feira, pelas 17.30h.

A colecção renovada foi impressa em papel Hahnemühle  Fine Art, garantindo a cada imagem uma longevidade superior aos edifícios retratados , e dando ainda mais impacto e este espólio fotográfico.

Conto com o vosso apoio e presença neste importante acontecimento... será feita uma ruinosa visita guiada, pelos mais significativos monumentos.

Com a vossa ajuda, Vamos Restaurar Portugal!!!

Até lá e com muita LUZ...

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A Casa da Praça - Frazão


A  Casa da Praça, há muito que me chamou a atenção, a sua história e arquitectura era um chamamento a este vosso leal ruinólogo, que uma vez mais se fez acompanhar pelo paciente José João Roseira e pelo sacanideo Joaquim, que fez mais uma das suas graças... era uma visita adiada que foi finalmente cumprida.
A sua traça solarenga, distingue-a das sua congéneres pela singularidade da fachada, tornando-a num raro exemplar de arquitectura barroca.
Foi crismada pela sua proximidade da praça da igreja matriz, onde os pregões judiciais punham bens à venda em hasta pública, ou "postos em praça" .
Pertenceu durante várias gerações à ilustre família Álvares,  cujo nome e por vias de casamento foi adaptado posteriormente a Alves Barbosa, a quem ainda pertencia há poucos anos atrás.
 
Embora as várias fontes que consultei transportem a sua construção para o século XVIII, avaliando a sua estrutura sou levado a ponderar que é de uma época mais recuada, seguramente do século XVII, quiçá, até século XVI.
A austeridade e simplicidade da sua fachada contrasta com os elementos decorativos do barroco final, além de que a pedra de armas que exibe no frontão, foi atribuída a Gaspar Álvares Barbosa em 5 de Março de 1799, logo este é um dos últimos elementos a ter sido introduzido, tendo a fachada sido por esta altura embelezada.
Nesta pedra de armas esquartelada estão constantes os brasões Álvares de Andrade, Barbosa (com representação invertida), Moreira e Meirelles.
O facto das pedras de armas não serem coloridas, além de estarem expostas às intempéries da erosão, dificultam por vezes a sua identificação levando-nos a errar a sua interpretação.
Também o uso do mesmo brasão por diversas famílias pode criar algumas confusões, além da corruptela de alguns nomes que vão sofrendo transformações através dos tempos nos podem confundir.
As  portas, ao nível do primeiro piso que ladeiam o portão principal, foram outrora servidas por escadas que lhes dariam uma lógica utilização, uma vez que estas portas não são sacadas e a queda seria dolorosa. A sua existência só se justificaria perante esses elementos que se perderam.
Também a capela é de construção posterior à do solar, toda a ornamentação é do período final do barroco e já com elementos neoclássicos, sendo a ala mais elaborada deste edifício.
A capela foi consagrada a S. Paulo, é um espaço onde se ainda respira o ambiente de santidade que o tempo não conseguiu apagar.
O que resta do retábulo testemunha o esmero e dedicação que esta família tinha à Santa Igreja. Os riquíssimos pormenores de talha não necessitaram do acabamento em folha de ouro tão característico deste período,  para serem uma autêntica obra de arte.
O coro-alto é cercado por um lindo parapeito de tábuas apodrecidas e onde ainda resta uma varanda que certamente serviu de púlpito. Este cenário é encimado por uma clarabóia que vai iluminando, com ajuda de S. Pedro, um depauperado interior...
Ao lado do acesso a esta varanda, houve em tempos uma sacada que hoje se encontra semi-emparedada e transformada em janela, de onde o intrépido Joaquim protagonizou um salto acrobático cumprindo um voo não planeado, e aterrando cirurgicamente em cima de uma tábua que amorteceu tão magnífica queda de quase 5 metros, saindo ileso... foi um milagre de S. Paulo, com uma cunha de S. Francisco... ou (para os agnósticos) todos os cães têm sorte... ou ainda... Joaquim não sabe voar, iô!
Ao transpormos o portão, deparamos-nos com um pátio em claustro completamente tomado por uma selva de silvas, tornando este lugar num inóspito espaço.
Todo o interior foi alterado por um projecto inacabado que iria transformar este local numa moderna unidade hoteleira. O interior do solar, já pouco tem de original... apenas as rudes e pesadas lajes de granito mantêm a dignidade de outrora.
Desde a introdução de placa, a paredes de tijolo e muito betão, tudo foi utilizado para transformar e modernizar este malfadado solar... entretanto e antevendo a crise, os investidores pararam as obras deixando esta casa desfigurada e inacabada.
Como purista das boas reabilitações, que devolvem a dignidade a tesouros de arquitectura, fiquei arrepiado com tamanho crime de lesa património, no entanto, e sabendo que o futuro destas casas passa pela sua rentabilidade.
A conversão de uma ruína, torna imperiosas, medidas de adaptação a uma realidade actual, se é que se quer levar avante um projecto desta índole e envergadura, desculpando assim os incautos investidores e valorizando o seu trabalho.
Mas vamos agora debruçar-mo-nos sobre a história desta casa que muitos episódios históricos testemunhou.
 
Foi aqui que esteve instalado, pelos cargos que os seus proprietários ocuparam,  a 4ª Companhia dos Voluntários do Batalhão Nacional (D. Maria II), e anteriormente um núcleo da Companhia de Ordenanças, que tinha por comando um Oficial Superior da Casa. Pertenceu à Casa,  a Administração estatal do negócio do tabaco. Funcionou aí um Julgado dos Órfãos, bem como uma delegação de cobrança de décimas prediais de bens de raiz, afectos ao concelho de Refojos
O proprietário mais recuado que consegui encontrar foi Manuel Álvares, cofreiro e juiz dos órfãos, sub-contratador dos negócios do tabaco e senhor desta casa.
 
Uma vez que estes cargos eram hereditários, este foi o primeiro de uma linhagem que lhes seguiu os passos como bom servidor da coroa e do público.
Seu filho Manuel Álvares da Praça, fica conhecido já com o nome desta casa, e casa com Catarina Barbosa, iniciando assim o bom nome desta família, gerando quatro filhos, em que se destaca o rebento, Gaspar.
Gaspar Álvares Barbosa, nascido em 04-12-1734, foi um militar e homem de negócios, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, com uma tença anual de 12.000 reis e Capitão de Ordenanças na Freguesia e Honra de Frazão (30.4.1787).
O seu 3.º filho, Gaspar Alves ou Álvares Barbosa fez parte do 2.º regimento de Infantaria do Porto,  que tomou parte contra a Revolução Francesa, nos Pirenéus e na Catalunha, aliados a Londres e Madrid. Gaspar foi também um grande negociante na feitoria Inglesa no Porto, tendo acumulado uma avultada fortuna. Por ter falecido sem descendência, esta foi herdada pelo seu pai, que lhe sobreviveu apenas por mais 10 anos.
Seu filho Luís, Grande Comerciante Portuense com matrícula na Real Junta do Comércio(1797), Vice-Cônsul de El-Rei das Duas Sicílias em Vila do Conde e Cavaleiro da Real Ordem Militar Constantiniana de S.Jorge (1809), incompatibiliza-se com o pai, chegando a expulsá-lo da casa. Pela morte de ambos é Manuel Álvares Barbosa, nascido em 1734, e Bacharel em Leis pela Universidade de Coimbra, que toma toma conta do destino desta casa e dos negócios da família.
Seu filho Manuel Álvares Barbosa Júnior, nascido em 1815, será o último capitão da praça que casa em segundas núpcias com uma senhora de "baixa condição", tendo gerado nove filhos, mais três outros filhos naturais. Faleceu em   30-09-1897 deixando 8 filhos 35 netos e 14 bisnetos.
Ficou recordado pelos seus excelentes serviços públicos nas qualidades de deputado eleito, administrador do novo concelho de Paços de Ferreira (1836), vereador municipal em 1841, Juiz ordinário em 1842 e Presidente da Câmara em 1845.


Um grande OBRIGADO, à Sra. D. Ana Alves Barbosa, e ao meu bom amigo José João Roseira, que tiveram a paciência de me aturar neste dia e me deram uma valiosa ajuda.

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