terça-feira, 18 de março de 2014

Da Espiral Recessiva à Espiral Progressiva

O Projecto Ruin'Arte, desde sempre se tem centrado na salvaguarda do património erigido. Não só nas suas memórias, como em todas as possibilidades para o salvar, salvando igualmente a nossa cultura, economia, sociedade e, legando a todo um País um acervo fotográfico que conta com mais de um milhar de ruinosos exemplos.
Como é óbvio, todas as recuperações necessitam de investimentos cujo retorno financeiro é obrigatório, não só para sua manutenção, como também dar lucro, pois sem ele, nenhum investidor se interessará por qualquer projecto por mais bonito ou romântico que seja.
Há sempre vários entraves que colocam a recuperação de edifícios para segundo plano, levando muitos construtores a optar pela nova edificação.
Em primeiro lugar, temos que contar com a escassa mão-de-obra especializada, que se faz pagar regiamente, além de nem sempre estar disponível no mercado. Os diversos artistas necessários para um empreendimento são cada vez mais raros, agravando os orçamentos e inviabilizando os projectos.
As incontornáveis burocracias envolvidas nos processos de reabilitação, afugentam qualquer investidor que tenha amor à sua conta bancária, pois a desvalorização dos imóveis é directamente proporcional à sua decadência que todos os dias é acelerada pela erosão do tempo, dilatando os orçamentos para a recuperação destes defuntos edifícios.
A especulação imobiliária também tem as suas responsabilidades, pois o valor dos terrenos em locais nobres atinge valores dignos das arábias, além de que muitos imóveis pelas suas características históricas são sobrevalorizados, esperando que um angolano ou um chinês o adquira em nome do charme e da nobreza.
A crise imobiliária e financeira, conduzida pelo excesso de novas construções, saturou o mercado com uma oferta que este não consegue absorver, o que tem baixado o valor do parque imobiliário e levou muitas empresas à falência.
A falta de cultura generalizada, leva o português comum a erigir "maisons" e casas "à moderna", na sua maioria mal construídas e gizadas , deitando a perder um fantástico património imobiliário que todos os dias se desmorona em acelerada cadência e decadência.
O abandono das regiões interiores é também responsável por muitas ruínas que por este País grassam, e este País desgraçam. É incontável a quantidade de quintas e solares, fábricas e simples casas, povoações despovoadas, e muitas outras estruturas que se encontram abandonadas por este Portugal fora, sem nada renderem e sem ninguém aproveitar... é o cúmulo do desperdício!
Como se costuma dizer : "Apenas a morte não tem solução", mas todos estes problemas têm! Enquanto as casas não derrocarem...
Para os combater e resolver, criar-se-iam muitos postos de trabalho e colocar-se-ia a "máquina" a funcionar, que como qualquer outra engrenagem, além da sincronização de todos os elementos, está dependente de uma força motriz, de uma fonte de energia e de um operador... neste caso, seriam vários.
Já noutras ocasiões me atrevi a fazer sugestões, que passariam pelos órgãos dirigentes da nação, que afinariam em termos legislativos e democráticos todos estes processos, agilizando os projectos que estimulariam a sociedade e a economia, para não falar em todos os benefícios que daí adviriam.
Como todos os planos têm que ter uma ordem lógica para poderem atingir as metas a que se propõem, tudo teria que ser devidamente esquematizado exigindo além de muito trabalho, o envolvimento de muitos profissionais de vários sectores, o que só aí, tiraria do marasmo um sem fim de cidadãos que se encontram no desemprego ou com pouca actividade.
Começando por fazer um cadastramento rigoroso de todos os edifícios abandonados em solo nacional e levado a cabo pelas autarquias, tomaríamos uma noção da dimensão deste flagelo, criando ao mesmo tempo um sítio na internet onde estas casas pudessem ser comercializadas.
Todas as autarquias deveriam ser céleres não só nesse processo, como também em todos os projectos que possam vir a ser apresentados. Seria uma promessa de rentabilidade que todos beneficiariam.
Também todas as ruínas deveriam ser obrigadas a ter uma solução prática e justa, sendo alvo de expropriações ou sociedades coercivas.
Criar-se-ia em seguida, uma agência imobiliária dedicada às ruínas e abandonados, avaliando-as em função de todos os critérios que estas possam oferecer, evitando deste modo a especulação.
Em parceria com estas imobiliárias, trabalhariam empresas de consultoria para avaliar e aconselhar projectos e investimentos. Nada como ter a noção das verbas e do retornos nos prazos estabelecidos. Se todas as estruturas abandonadas foram um dia rentáveis, creio que com a estratégia acertada voltariam a sê-lo.
Fundar escolas de reabilitação urbana em vários pontos do País, onde se ministrassem cursos para todas as especializações que estas requerem... ao fim e ao cabo, seria reaprender a técnicas de construção que foram utilizadas durante toda a história da humanidade, se os nossos avós o fizeram, porque é que hoje não somos capazes?
Com os alunos aqui formados, dignificar-se-ia uma classe profissional que iria contribuir para reerguer todo o País, formando novas empresas que colaborariam com as ditas imobiliárias e tornariam possível qualquer reabilitação.
Poder-se-iam recriar espaços agrícolas, turísticos, empresariais, educacionais, culturais, sociais, sem grandes esforços, uma vez que a infra-estruturas estão edificadas.
As empresas de crédito seriam um dos combustíveis deste motor, pois seria muito mais seguro para todos, ter o necessário apoio financeiro e poder pagar a longo prazo qualquer investimento destas envergaduras, sobretudo se criarmos um negócio auto-sustentável.
Limitar as novas construções por um período de cinco a dez anos, levaria as empresas de construção a apostar na reabilitação, dando benefícios fiscais e incentivando com prémios os melhores projectos.
Como não me cabe legislar, posso ao menos opinar, e como é evidente, muitas coisas teriam de ser alteradas. As vias de comunicação para todas as zonas menos povoadas, deveriam ser aliviadas em taxas de auto-estradas e impostos, isso iria inverter o êxodo que desde os anos de quinhentos se tem verificado em direcção às grandes cidades, tal como travaria a emigração.
Com este plano de ataque, traria um novo fôlego directamente a muitas profissões e indirectamente a um sem fim cidadãos... estou a pensar na quantidade de arquitectos, engenheiros, operários de construção, agentes imobiliários, historiadores, advogados, economistas, agricultores, industriais, fotógrafos, etc...etc...
Também outros profissionais como: médicos, professores, informáticos, comunicações, restauração e bens de primeira ordem, combustíveis, e muitos outros serviços de que todos dependemos ganhariam com mais trabalho e novas oportunidades.
Se houver seriedade e vontade de trabalhar, dentro de pouco tempo poderíamos emprestar dinheiro à Troika e os alemães corariam de inveja, pois segundo consta há em Portugal quase um milhão de ruinosas oportunidades à espera de serem reabilitadas.

sábado, 1 de março de 2014

A Casa da Pesca do Marquês de Pombal - Oeiras

A Casa da Pesca do Marquês de Pombal / Conde de Oeiras, é um raro exemplar de arquitectura barroca e, infelizmente um vulgar exemplo de laxismo!
 

Integrada na Quinta do Marquês de Pombal e hoje sob a tutela da Estação Agronómica Nacional / Ministério da Agricultura, tem vindo a degradar-se ao longo de penosas décadas sem que nada seja feito para a preservar... a desculpa de sempre!! Falta de verbas!!
A Casa da Pesca foi classificada Monumento Nacional em 1940, e desde que foi entregue à EAN / MA, que tem sido completamente descurada, é inadmissível que um organismo do Estado trate o património de uma forma tão vil!!!
Antes de abordar a sua história, gostaria de sugerir uma forma fácil de rentabilizar este espaço, tornando-o auto-sustentável e até rentável, até um chimpanzé consegue ver essa tão óbvia hipótese... uma CASA DE PESCA!!
Quantos de nós não gostaríamos de passar algumas horas com amigos e familiares a descontrair à beira lago, numa agradável pescaria envolvidos num ambiente monumental e cheio de história?
Alugando no local uma cana de pesca, e pagando ao kilo tudo o que conseguíssemos pescar podendo também confeccionar num grelhador, ou para os mais exóticos com um "chef" de sushi. Também se poderia aqui ministrar aulas de pesca, com um professor trajado à marquês que nos ensinaria o melhor desta arte, além de poder vender as minhocas que povoam estes férteis terrenos...
Muitos outros projectos aqui se poderiam executar, contribuindo financeiramente para a recuperação e sustentação deste magnífico espaço. Desta forma, angariar-se-iam as verbas necessárias para a reabilitação, criar-se-iam postos de trabalho, e dar-se-ia a Oeiras mais um aprazível local de saudável convívio, em vez de eternamente esperar pelas verbas há muito esgotadas pelo IGESPAR.
A história deste monumento reporta-se ao ano de 1765, e terá sido a última estrutura a ser construída neste núcleo arquitectónico. Terá sido eventualmente gizada por Carlos Mardel, uma vez que foi este o autor do projecto do palácio e dos jardins, embora a sua edificação seja posterior à morte do mestre que reconstruiu a cidade capital.
Foi erigida na chamada "Quinta Grande", a antiga "Quinta do Taveira", uma parte da propriedade dedicada à exploração agrária, e a sua função era puramente lúdica. Foi idealizada para as pescarias de fim-de-semana que tanto entusiasmavam Sebastião José de Carvalho e Mello.
O Marquês anunciava a sua vinda via pombo correio, despoletando uma autêntica "caça ao peixe" na Ribeira da Lage levada a cabo pelos seus atarefados empregados, incumbidos de providenciar o tanque com o maior número peixes que conseguissem apanhar. A faina era feita numas embarcações conhecidas por "casca de côco", levando o destino destes pobres peixes a que fossem pescados duas vezes.
Este conjunto é formado por um jardim adornado com um frondoso arvoredo, ladeado por três portões que lhe servem de nobre acesso, ao centro vive um lago com o formato de quatro cadernas tendo ao centro uma estrela de oito bicos, representando o brasão dos Carvalho e reivindicando a posse da propriedade para a casa de Pombal.

Dando-nos acesso ao patamar superior, somos convidados a subir por umas escadas simétricas, onde ao centro resta uma fonte seca como uma testemunha muda dos seus tempos áureos.
No patamar superior somos brindados com um dos mais românticos cenários que nos transporta ao século XVIII em todo o seu esplendor... o ambiente e toda a envolvência deste encantado recanto, além de uma lição de história, dá-nos uma lição harmonia arquitectónica, em que facilmente nos transportamos para um mundo de fausto barroco, recuando duzentos e cinquenta anos.
Aqui encontramos um lago de generosas e harmoniosas proporções, alimentado por uma fonte pisciforme e envolvido por um grandioso mural revestido por riquíssimos painéis de azulejos holandeses, onde estão representadas cenas de mitologia e cenas de pesca. Ao centro, uma escadaria leva-nos a uma fonte, outrora servida pela Cascata do Taveira ou dos Gigantes.
 
Nesse patamar, duas portas em cada lado da cascata, conduzem-nos ao terraço onde se pode admirar este cenário num ponto de vista privilegiado, dando-nos uma clara noção da grandeza deste espaço.
É neste nível que se encontra a Casa da Pesca, totalmente degradada e descurada, o seu interior, ao qual não tive acesso, é decorado por elaborados estuques e frescos em avançado estado de ruína. Vítima de infiltrações e apodrecimento do telhado que ameaça derrocar.
Esta casa era utilizada pelo Marquês de Pombal para guardar o seu equipamento de pesca e para se apetrechar para essa empolgante actividade. Foi utilizado nos anos setenta do século passado, como creche começando aí a sua acelerada deterioração. Consta que as crianças se divertiam a apedrejar os painéis de azulejos causando mazelas irreparáveis...
Recentemente, um corajoso e dedicado cidadão, a quem aqui presto homenagem, tem-se devotado às suas próprias custas à preservação de todo este espólio. Quis um dia que o destino o tivesse guiado nesta direcção, deparando-se horrorizado com o estado de abandono deste magnífico local. Deitando mãos-à-obra, diariamente se empenha com todos os seus esforços para melhorar a Casa da Pesca, da qual se tornou guardião... Ao valoroso Paulo Augusto, aqui tiro o meu chapéu...

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Uma "Bomba" na Assembleia da República

Caros amigos, confrades, compatriotas e fiéis seguidores...
Terá lugar no próximo dia 12 de Fevereiro, pelas 12h, na Assembleia da República, a XXIV exposição Ruin'Arte... uma autêntica BOMBA!

Esta exposição é, além de mais uma meta atingida, o mais significativo momento desta ruinosa demanda. Será uma "mensagem entregue em mão", no centro nevrálgico do poder governativo.

É uma exposição de eloquentes imagens, e uma exposição do estado da nação.

Além de ser a maior colecção jamais apresentada, serão igualmente expostas algumas sugestões, que esperamos tornar em soluções para um Portugal melhor...

Até lá... e muita LUZ

Gastão de Brito e Silva

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Real Fábrica de Atanados da Vila de Povos - Vila Franca de Xira

A Real Fábrica de Atanados é, um dos mais desgraçados edifícios  que já visitei... é também um dos mais magníficos!
Os seus 217 anos de ininterrupta laboração, glorificam-na como um templo de trabalho e dedicação, que contrastando violentamente com o desleixo a que foi votada, torna-se em mais um inadmissível paradoxo.
A sua curiosa e majestosa traça, resulta da projecção de uma quinta, de um solar e de uma fábrica, combinando em perfeita simbiose arquitectónica estas suas três vertentes.
Não é só a sua longa história que está em risco, mas também a de todo o concelho de Vila Franca de Xira. A sua importância como símbolo industrial, quase se sobrepõe à sua nobre e austera imponência.
Este complexo arquitectónico, supõe-se pela sua toponímia, ter nascido da adaptação de uma velha casa de lavoura que ficou na altura conhecida por "Fábrica da Quinta", tendo sucessivamente sido remodelada em conformidade com as funções que desempenhou.
Na sua ampliação ao longo dos tempos, testemunhada pelos estilos que apresenta, pode-se verificar os dois momentos mais marcantes na sua arquitectura contrastando com a exuberância do período joanino, com a austeridade do período pombalino, além de reminiscências de classicismo no que resta do jardim, transformando este espaço numa barra cronológica de todo o século XVIII.
Nas duas últimas décadas, foi vítima além do abandono e suas erosivas consequências, de uma completa espoliação de todo o seu património, crimes perpetrados por simples vândalos e por quadrilhas internacionais, tendo chegado a pedra de armas a ser recuperada pela PJ, em solo espanhol.
Foi também vitimada por um devastador incêndio, e por fim, foi alvo de uma "reabilitaxão", que embargou o projecto adiando-o para melhores dias... hoje, planos lhe não faltam, faltam é verbas e iniciativa!
O seu passado como indústria, remonta ao longínquo ano de 1729, quando por iniciativa de João Mendes de Faria Barbosa Fagundes, foi edificada, tendo merecido por isso, em 1731 uma carta de armas onde figuravam os brasões dos seus apelidos, tornando-se Senhor de uma Fábrica de Sola.
Reinava então D. João V, que na sua magnânima pessoa deu o alvará a este grande empreendimento, atribuindo-lhe o Real titulo de excelência. Uma verdadeira distinção que além de privilégios, também lhe dava obrigações: a qualidade e excelência dos seus produtos teriam de estar à altura desse tão grande estatuto.
O local onde a fábrica se ergueu, além de ter um perfeito feng shui, permitiu-lhe subsistir em regime de quase total auto suficiência. A quinta era por si fornecedora de lixo de pombo, azeite, lenha e de cascas de carvalho, que também poderiam sem esforço ser igualmente procuradas nas quintas vizinhas, assegurando um reforçado fornecimento e garantindo uma produção facilitada e sem interrupções.
A Ribeira de Povos, que graciosamente atravessa a propriedade, foi um fiel fornecedor de água que sustentava esta empresa em todas as suas necessidades.
Desde o regadio das produções agrícolas, ao tratamento e processamento das matérias aqui tratadas, a utilização do precioso líquido eram uma constante em todo este complexo.
A sua localização pela proximidade ao rio Tejo, em muito facilitava a distribuição e transporte de todas as mercadorias que dali vinham e, que para ali iam.
Embora a manufactura de curtumes fosse já uma antiga tradição, a sua produção industrial estava uma fase incipiente, por isso, não havia em Portugal mão de obra especializada que garantisse os melhores níveis de produção.
Foram para esse efeito recrutados técnicos vindos de Inglaterra onde esta indústria já se encontrava em avançada laboração. Do Ribatejo, vieram oficiais recrutados segundo a tradição da manufactura orgânica completando a mão-de-obra para o seu pleno funcionamento.
Esta fábrica manteve-se ao longo dos tempos fiel à tradição. Os avanços tecnológicos mais significativos da industrialização dos curtumes não foram adoptados por esta empresa, por deles não necessitar. Como a força motriz de que dependia e as matérias-primas, uma vez que eram generosamente aqui obtidos, nunca houve a necessidade de optar por novos engenhos nem tratamentos químicos das outras indústrias de vanguarda.
Embora esta indústria fosse uma das mais poluentes, a REAL FÁBRICA DE ATANADOS DA VILA DE POVOS, pela tecnologia utilizada, era sem dúvida "amiga do ambiente"  tornando-se um excelente exemplo de gestão, trabalho e sustentação.
Pela cronologia desta fábrica podemos avaliar a importância e contributo que deu a toda a Nação, pelo que aqui apelo aos responsáveis pelo património edificado que façam a devida justiça e lhe dêem a merecida atenção.
1728 Gaspar Caldas Barboza solicita autorização para a criação de uma manufactura de curtumes, sabendo-se que se trata
do pedido que irá dar origem à Fábrica de Povos.
1729 (15 de Outubro) Alvará de fundação da Fábrica de Atanados de Povos, cujo contratador era João Mendes de Faria
Barbosa e Fagundes, para o fabrico e aperfeiçoamento de atanados e camurças. Condições para a laboração. Custo da
montagem da manufactura 70 mil cruzados e 48 mil de investimento em couros.
1730 (17 de Janeiro) — É passada Carta de Nobreza a João Mendes de Faria.
(25 de Setembro) — Consulta do Concelho da Fazenda sobre a manufactura de Povos.
1731 (5 de Julho) A Fábrica de Povos recebeu o privilégio de isenção alfandegária para os seus produtos “assim os atanados
como toda a mais courama de qualquer qualidade que sejam nela fabricados”.
1731 (9 de Agosto) 1.0 Privilégio de fabrico, com uso de marca e armas nos curtumes. O Estado exige que a fábrica fique em
última perfeição,
1732 (17 de Setembro) A decisão de 1731, respeitante ao privilégio de isenção alfandegária para os atanados e camurças de
Povos é tornada pública.
A “A cinta da F Ah rica”: A Real FAA rica de Atar ado de jaia ler dea d e Faria e auceaaarn__j~j
1736 Novas obras na Quinta da Fábrica por motivo de ampliação da laboração, obras que deveriam ter custado mais de 20 mil cruzados. Petição de João Mendes de Faria a D. João V. Os couros para a Fábrica vinham do Campo do Curral, em Lisboa e foram obrigados a pagar 8.000 réis à Alfandega. (1 de Agosto) Casamento da filha menor e herdeira, Isabel Maria de Faria Barbosa Fagundes com Romão José da Costa Guião.
1737 É autorizada nova manufactura de curtumes, para fabricar marroquins e mais couros, na Quinta das Murtas, cuja direcção estava entregue a Pedro Pereira & Francisco Pereira e Manuel Martins da Costa. Insistência de João Mendes de Faria. Queixa contra o rigor dos funcionários da Alfândega.
1738 (I5 de Setembro) Resolução que permite a retribuição dos dinheiros embargados na Alfândega ao contratador de couros.
1738 (24 de Setembro) Parecer do Senado da Câmara sobre a Fábrica.
1739 (13 de Julho) Outro parecer do Senado da Câmara.
1740 Diogo Mandim, mestre da manufactura de Atanados, sai da Fábrica de Povos.
1741 (10 de Agosto) João Mendes de Faria requer renovação dos privilégios concedidos em 1729, considerando Povos uma das melhores fábricas da Europa. Início do contencioso com o fabricante inglês Henrique Tompsen, fundador da Fábrica de Curtumes de Gaeiras (Óbidos).
Início do 2º Privilégio de João Mendes de Faria.
1743 (1 de Janeiro) 1.” Privilégio à Fábrica da Quinta das Murtas.
Face ao privilégio anterior João Mendes Faria pretende a reunião das duas concessões de curtumes do país (Povos e Quinta das Murtas) para melhor evitarem a concorréncia e dominar os segredos tintureiros.
1745 Num documento oficial a manufactura de Povos e’ int~ltulada REAL FÁBRICA DE ATANADOS DA VILA DE POVOS.
1746(13 de Outubro) Petição do Juiz do Povo e da Casa dos Vinte e Quatro para que não se extraíssem árvores de sobro, carvalho ou azinho da outra Banda do Tejo, que eram amplamente produzidos pela Fábrica de Povos, pois eram necessários para produzir carvão de lenha para o aquecimento de Lisboa.
1747 Com o fim do privilégio de Pedro Pereira da Quinta das Murtas (a respeito dos métodos tintureiros), João Mendes Faria e o responsável por aquela manufactura resolveram constituir uma sociedade para a exploração da manufactura de Povos, unindo os esforços comuns, colaborando o primeiro com os segredos tintureiros e o segundo com a organização e estabelecimento manufactureiro.
1751 Fim do 2.° privilégio deJoão Mendes Faria.
1756 De acordo com o Dicionário Geográfico fabricavam-se 15.000 couros em média.
1772-1774 A Fábrica pertence a Romão José da Costa Romão, genro de João Mendes de Faria.
1774 A manufactura aparece como pertencente ao filho de João Mendes de Faria, José Pedro de Faria, José Pedro de Faria
Barbosa Fagundes, que se associara a Vicente Pedrossen da Silva.
1788 A Fábrica de Povos está nas mãos de Calvette & Sócios.
1789-1790 Depois de uns anos em que esteve parada inicia-se a laboração a fim de gosar de um indulto régio. Mercê de isenção dos direitos de sisa pela compra da courama e da lavagem por tempo de 10 anos a 12.000 coiros por ano (que era o que curtia), o que equivale a 50% da matança anual do pais.
1792 A Fábrica de Povos adiantou à Sociedade de Marchantes de Carnes Verdes 12.000 cruzados, pelos coiros que lhe remetia, pelo que fez ajuste particular de os receber por menos de 30 réis a arroba.
1797 O cais de Povos ainda se encontrava operacional.
1802 Relatório do Juiz de Fora, corregedor interino de Vila Franca de Xira sobre as causas da decadência da Fábrica de Povos, o cais de pedra do porto fluvial encontra-se assoreado.
1803 João José de Faria Mascarenhas Mello, neto do fundador, é o Senhor da Fábrica de Povos.
1810 (Outubro) a 1811 (Março) A invasão de Massena faz extraviar a alvará primitivo da manufactura de Povos. Perturbações na manufactura com a migração da população trabalhadora para Lisboa.
1811(25 de Outubro) Sebastião José Teixeira, Juiz de Fora de Castanheira e de Povos refere que EX Maria da Piedade de La Cerda, como tutora e administradora de seus filhos encontra-se a restabelecer a manufactura de curtumes de Povos, decadente desde a invasão francesa.
1815 (5 de Junho) Início da polémica com exportadores nacionais de casca de sobro e carvalho (Prego & C.’), na qual intervém a proprietária da Fábrica de Povos, D. Maria da Piedade La Cerda.
1818 Reanimação da indústria de curtumes incluindo a Fábrica de Povos,
1819 José Acúrsio das Neves refere a problemática nacional da isenção de sisa, que fora uma nova mercê do Estado
Absoluto à Fábrica de Povos e que as outras manufacturas reivindicam.
1827 (1 de Fevereiro) A Coroa não defere a exportação de 400 arrobas de raspas de coura de boi da Fábrica de Povos.
1829 (21 de Maio) Ordens reais para não se exportarem raspas de couros de boi para dar cumprimento ao Alvará de 11 de Fevereiro de 1773, de João Baptista Locatelli, fabricante de grude.
1829(6 de Junho) A proprietária da Fábrica de Povos exporta para os portos de Itália e de Espanha 156 arrobas de raspas de couros de boi, faltando-lhe exportar ainda outras 844, contra a vontade da Coroa que havia proibido a exportação destes sub-produtos, para atender aos fabricantes nacionais de grude.
1830 Referência a um António José Ferreira fabricante de atanados na Fábrica de Povos.
1845 (Setembro) A fábrica estava nas mãos da viúva de um descendente dos La Cerda, D. Maria da Piedade Faria de La Cerda.
1845 (7 de Novembro) — Resposta oficial ao Inquérito das Fábricas deste ano.
1856 A Fábrica restabelecera-se e corria pela firma José Pedro de Faria La Cerda & Cia.
1893 Tudo faz pressupor que a “casa da fábrica da sola” ainda laborasse, embora intermitentemente.
1905 (cerca de) José Miguel da Silva Santos, natural da Goucharia, estabelece-se na Quinta da Fábrica para a pôr a laborar.
1935 (cerca de) Ampliação da Fábrica de Curtumes.
1946 (cerca de) A Fábrica de Curtumes de Povos deixa de laborar.
1996 A firma OBRISANTOS pretende construir uma unidade hoteleira na Quinta da Fábrica.

Fonte : A “Quinta da Fábrica”: A Real Fábrica de Atanados de João Mendes
de Faria e sucessores - Jorge Custódio.

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