segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Quinta da Salgada - Chelas


Foi a primeira propriedade que fotografei neste bairro, adiei o post por não conseguir arranjar um texto que o pudesse suportar. Após exaustivas pesquisas, pouco ou nada consegui adiantar...
 
As poucas referências que há nos arquivos dizem todas a mesma coisa e com descrições bastante vagas, quer na parte da arquitectura, quer na cronologia. Uma vez mais ouvi rumores que a sua decadência é devida a uma herança difícil, outros rumores dizem que foi precisamente pelo facto de não haver descendência que a quinta foi abandonada...


Li também que houve um lago com o perfil do marquês de Pombal, não entendi se era com o formato da fisionomia do marquês, ou desenhado de alguma forma com a traça característica do seu tempo...hei-de tentar apurar, mas do lago restam apenas alguns vestígios soterrados pela vegetação...



O nome desta quinta vem da sua antiga proprietária, D. Ana Joaquina Salgado,  filha do mestre de campo José Vaz Salgado e de D. Teresa Maria de Jesus, e seu filho José Pinheiro Salgado, naturais do Recife. Era uma abastada família com propriedades no Brasil, cujo gosto foi espelhado na exótica flora que constituía o jardim. 


Foi construída no Séc. XVIII, tinha ainda uma ermida e uma horta, além do já referido jardim.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Palácio Cabedo

Já tenho passado várias vezes neste local, por a rua se encontrar cheia de carros e haver sinais de transito que prejudicam graficamente este edifício limitando-lhe os melhores enquadramentos, não lhe tinha ainda dedicado a merecida atenção...quem conhece o local sabe que não lhe consegui fazer a devida justiça, por isso tentei investigar um pouco da sua história para melhorar este post, uma vez mais as informações que consegui são bastante mais vagas do que gostaria e fiquei com a sensação que lhe devo algo mais. Além do que recolhi na internet, soube também que foi recentemente vendido e já não pertence à família original...

Este velho palácio seiscentista fica situado na R.  Prado Coelho, a sua construção remonta aos finais do Séc. XVII, é o edifício mais antigo do seu arruamento. Foi em tempos a residência dos viscondes do Zambujal, título criado por D. João VI, rei de Portugal por decreto de 27-01-1826 a favor de D. Jorge de Cabedo de Vasconcelos Sardinha da Cunha, 1º visconde e 1º barão desta casa.  

Norberto Araújo, refere que esta rua se chamava no Séc. XVIII, R. do Cabedo, obviamente baptizada por esta família que aqui residiu.



A sua fachada pouco comum em estilo maneirista e espartanamente desenhada com uma alvenaria simples e janelas de sacada no primeiro piso, contrasta com a sua grandeza e majestade, o seu estado de degradação contrasta com a nobreza que noutros tempos viveu. Foi mais tarde arrendado e chegou aqui a funcionar o antigo Colégio Caliponense, instituição fundada por António Luiz Fernandes e que em 1897  se instalou neste edifício e  funcionava em regime de internato.Aqui viveu também o Marquês de Pombal quando regressou a Lisboa após a sua carreira diplomática.

sábado, 23 de janeiro de 2010

As ruínas, a arte e o egoísmo andam muitas vezes de mãos dadas...


Fui um dia desafiado pelo Pedro Rolo Duarte, reconhecido jornalista, que era na altura editor do Jornal I, para  desenvolver um texto ilustrativo sobre um tema  característico da "raça lusitana”,    que a revista semanalmente explorava, deveria então dissertar sobre o EGOÍSMO.  
Foi-me também pedido que lhes enviasse algumas imagens que pudessem exemplificar a minha dissertação, tal como essa dissertação teria de cruzar as ruínas do património e o assunto supracitado.

Foi mais um desafio que aceitei com gosto mas também com algumas reservas, pois nunca tinha analisado as ruínas como fruto de EGOÍSMO, e descobri após uma profunda introspecção que afinal as ruínas, a arte e o EGOÍSMO andam muitas vezes de mãos dadas... senão vejamos:
No meu caso pessoal e falando na qualidade de fotógrafo e artista, conclui-se facilmente que este projecto foi uma forma de EGOÍSMO. Todos os artistas têm um ego do qual não se conseguem dissociar, é o motor que nos move, é o nosso alimento. Ao explorar as ruínas e o património arquitectónico degradado, encontrei uma forma de espelhar o narcisismo intelectual e valorizar o meu nome como profissional… sim, foi por puro EGOÍSMO que nasceu o projecto Ruin’Arte...
Este por ter atingido uma dimensão e proporção nunca imaginada na minha vida pessoal, acabou por me ultrapassar como forma de fotografar e de se tornar numa causa ... as causas são ALTRUÍSTAS, com nobreza e sentido social, são uma forma de luta por um motivo emocional. Normalmente são lutas por causas perdidas ou vozes oprimidas e cai sempre bem ter uma causa, o Karma agradece...
Vi-me de um momento para o outro a lutar com todas as armas que disponho para combater este flagelo, fazendo fogo com toda a minha sensibilidade e técnica,  disparando com verborreia e tenacidade, e apaziguando com diplomacia e boa disposição...é uma “guerra” que promete ser eterna e que de uma forma EGOÍSTA se tornou numa atitude ALTRUÍSTA...
O  ALTRUÍSMO é o EGOÍSMO disfarçado de nobreza e filantropia , uma vez que esperamos sempre algo em troca quando algo  damos, mais que não seja alguma notoriedade, gratidão e talvez uma recompensa financeira... acabamos sempre por ser EGOÍSTAS. O EGOÍSMO é apanágio do ser humano, é inevitável e inerente à nossa condição, tanto no plano pessoal como social. 
O EGOÍSMO como forma de estar, pode ser muitas vezes uma vantagem pessoal, que conduz ao sucesso muitas carreiras e fortunas, obstando quase sempre o mesmo sucesso de uma sociedade ou circulo social. 

Um dos melhores espelhos sócio-culturais que podemos observar, é a qualidade da arquitectura e ambiente urbano de determinada povoação. Os edifícios são testemunhas de cultura e fortuna, não só nos estilos  e materiais com que são construídos, mas também e essencialmente pelo estado em que esta se encontra. Por EGOÍSMOS vários, muitos edifícios foram condenados à ruína...


Todos os  governantes portugueses desde a nossa fundação, tiveram o mérito de edificar obras faraónicas e megalómanas com a desculpa que estarem a servir o País, talvez com a esperança de ver EGOÍSTAMENTE o seu nome ligado a um grandioso monumento e estabelecer dessa forma uma conexão com a sua ilustre pessoa para entrar nos anais da história. Mas ao mesmo tempo nunca tivemos um governante que se preocupasse em reabilitar o património já existente votando-o ao esquecimento, esse sim um testemunho de grandiosidade de uma longínqua linhagem lusitana, exemplo de cultura e determinação de um povo.
Desde os castelos que D. Afonso Henriques construiu para defender o seu património, passando pelos palácios reais, catedrais, até aos estádios de futebol do Euro 2004, o CCB, a sede da CGD e muitos, muitos outros edifícios foram construídos, para satisfazer apenas a vontade politica e ego de um governante, que ALTRUÍSTAMENTE legou ao País este pesado fardo, e cujas facturas pagamos diariamente… é puro EGOÍSMO político a edificação de certos projectos, principalmente quando é posta em causa a qualidade de vida de um povo e o futuro de um País...
Outros casos ruinosos são, de herdeiros de património imobiliário e familiar que EGOÍSTAMENTE se desentendem por questões  financeiras, antigas querelas, e, por vezes maldade e ganância, que acabam por deitar a perder com prejuízo pessoal, familiar e social bons edifícios, contribuindo EGOÍSTAMENTE dessa forma para a degradação urbana e cultural.
Há ainda os casos de vandalismo gratuito, EGOÍSTAMENTE perpetrados por tipos sem escrúpulos, sensibilidade e cultura, com requintada criatividade destruidora, e que sujeitam toda a sociedade aos pequenos egos revoltados. Tal como há também o EGOÍSMO “intelectual” que certos empreiteiros e autarcas nos impingem de uma forma coerciva ruinosas “reabilitações”,  o que é outra forma de arruinar ainda mais o património arquitectónico.
Temos também  os EGOÍSTAS investidores, senhores de grande capital, que EGOÍSTAMENTE pretendem ver as suas propriedades inflacionadas pela especulação imobiliária, condenando a sociedade, a história e o ambiente urbano a uma morte morosa e dolorosa. Controlando pela ruína o valor de uma propriedade, andando ao sabor da bolsa de valores e especulando com o dinheiro que muitas vezes nem lhes saem dos bolsos, até a viabilidade da reabilitação ser posta em causa por não ser economicamente favorável, isto com a conivência do poder político, o que se torna ainda mais grave...

 




Outros EGOÍSTAS preferem ver uma conta bancária cheia de zeros, a terem de investir na reabilitação de um património que acaba por ser de todos nós. Uma vez que qualquer edifício que se encontre em estado degradado é uma ameaça para a saúde pública, é sem dúvida um grande EGOÍSMO pôr em causa a integridade física seja de quem for, bem como todo o ambiente urbano apenas para poupar algum dinheiro...
Podemos também referir os EGOÍSTAS que preferiram deixar de investir em rentáveis empresas que deixaram falir, enviando para o desemprego e consequente degradação social populações inteiras de eternos colaboradores, escapando desta forma às obrigações financeiras e lucrando na maior parte das vezes com a especulação imobiliária e alienação do património.
Para finalizar esta breve dissertação, devo também focar o EGOÍSMO sócio-intelectual de certas eminências, que tutelam associações de defesa de património, e que para defenderem o seu cargo ou estatuto, evitam associar-se a outros indivíduos ou instituições para não perder o protagonismo, pois dividir louros ou conceder espaço é coisa que lhes tiraria algum poder, o que é mais importante que dar força a uma causa pela unificação de várias entidades.


Concluindo : o EGOÍSMO é inversamente proporcional à grandeza de espírito de cada um, tornando-nos cada vez mais pequenos e insignificantes sempre que olhamos para o umbigo, com o perigo de nos conduzir a uma eminente ruína.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

As Tercenas do Marquês

Este é o edifício que mais me enganou e durante mais tempo...vivi lá perto e ouvi sempre a mesma história. Fica situado entre as traseiras da R. das Janelas Verdes e das da  Av. 24 de Julho e foi completamente devotado ao abandono durante muitos anos. Foi cedido pela CML à Galeria Zé dos Bois onde chegou a acontecer uma exposição de "expressões artísticas"... estive lá pela curiosidade pelo do local e pela oportunidade de ver arte... essa  arte era demasiadamente "artística" para eu a poder interpretar pela positiva e nunca mais lá fui...
O palacete a que está agregado pelas traseiras e jardins, era a residência de Lisboa do Marquês de Pombal, pelo menos sempre foi o que me contaram, era facilmente corroborado pelo estilo neoclássico, característico do seu tempo e pelo brasão que orgulhosamente ostenta no frontão... apurei agora que pertenceu realmente a um marquês de pombal, só que não era o "nosso" Sebastião José (1699-1782), que durante a ocupação do seu primeiro proprietário o nosso amigo já há muito tinha entregue a alma ao criador...
 
Foi-me também transmitido como mito urbano que servia de prisão aos seus inimigos de estimação, hipótese reforçada pela sua austera traça e por ter inclusive barras de ferro nas janelas, que inspira qualquer mente mais criativa a acreditar piamente nessa teoria, embora os seus interiores sejam amplas salas abobadadas o que poria de parte essa especulação por não haver celas, o seu carisma está tal maneira enraizado que ninguém põe em causa a fama que tem...
 
No final de contas, posso agora afirmar com segurança : foi construído nos séc XV ou XVI e adquirido mais tarde por José António Pereira, que viveu no palacete da rua das Janelas Verdes, foi um grande armador e proprietário de roças em S. Tomé, importador de café e outros géneros. Teria sido um verdadeiro empresário colonial, que enriqueceu tão rapidamente como empobreceu. Morreu em 1817, e o palacete foi comprado nos anos de 1850 pelo capitalista José Fernandes. Sua filha, D. Maria do Carmo Fernandes, casou em 1873 com  António de Carvalho Melo e Daun de Albuquerque e Lorena, conde de S. Thiago de Beduído, segundo filho do 5º Marquês de Pombal, que por morte deste se tornou 6º Marquês dessa casa, por ter já falecido o seu irmão primogénito.
Quando o palácio foi ocupado pelos sextos marqueses foram feitas algumas reparações, nessa ocasião foi colocado no tímpano da frontaria o brasão dos Carvalhos, que está curiosamente mal reproduzido, pois a estrela é composta por apenas cinco bicos, quando deveriam ser oito.


*Tercena ou teracena: (Novo Aurélio) Local onde se construíam embarcações e onde havia armazéns para guardar os aprestos a elas destinadas.

Fonte : http://alexandrepomar.typepad.com
Pedras de Armas de José de Melo

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Quinta das Conchas ou Alto das Conchas ou das Conchinhas - Chelas


Foi uma desagradável surpresa quando encontrei mais esta quinta, já tinha fotografado a sua vizinha Quintada da Salgada noutra ocasião e não tinha visto esta ruína.


Para melhorar as condições de luz da reportagem anterior voltei ao local e ao afastar-me alguns metros, encontrei esta relíquia do Séc. XVIII completamente devastada, tal como as suas outras vizinhas Quinta da Salgada e do Perdigão.



A quinta das conchas deve certamente o seu nome aos vestígios geológicos que abundavam nos terrenos argilosos onde foi edificada.


É um edifício com traça de barroco jesuítico, portanto muito pouco ornamentado, com dois pisos e janelas de sacada, um portão principal que dá uma certa imponência à propriedade deixando adivinhar o seu interior, tem uma escada para o andar superior que é resguardado por um alpendre que foi posteriormente acrescentado. Há também uma ermida que data de 1763 ao qual não consegui ter acesso...mas hei-de tentar...


A quinta foi mais tarde agregada à fábrica de pólvora que esteve instalada no Convento de Chelas até à década de 80, as construções que restam nos seus antigos terrenos, são vestígios de arqueologia industrial da antiga Fábrica Nacional de Munições e Armas Ligeiras. 
                          
Os antigos terrenos que lhe pertenciam continuam a ser cultivados com hortas urbanas, que é uma paisagem bem característica e tradicional deste velho bairro de Lisboa.

Ah!!! Obrigado ao http://biclaranja.blogs.sapo.pt, que foi de uma gentileza invulgar, além de ter contribuído generosamente para a investigação desta quinta...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Palácio das Fontes



Ultimamente tenho dedicado este projecto aos bairros orientais de Lisboa onde tive oportunidade de travar contactos com a simpática população e conhecer melhor o seu património. Uma vez que raramente frequentei esta zona da cidade, não conheço nem os locais, nem a toponímia e menos ainda a sua história...tenho andado "aos apalpões" até esbarrar em quintas várias, autênticas pérolas de história e arquitectura que foram desprezadas e devotadas ao abandono. Estes edifícios perdem-se no tempo e na história do bairro, já tiveram vários nomes tal como foram aproveitados através dos tempos com actividades que os diminuiu na sua nobreza e desvirtuou na sua história, dificultando um trabalho de pesquisa que poderia ser mais simples...


Após exaustivas demandas, quis hoje a santa previdência que me tivesse cruzado com uma amiga e vizinha, que tem na sua biblioteca a resposta para muitas perguntas que tenho andado a fazer, evitando mais uma tarde que me preparava para passar nos arquivos municipais...



Uma das quintas que mais me intrigava é o Palácio das Fontes, uma magnífica residência senhorial com uma traça pouco definida, nitidamente barroca mas difícil de situar em termos de  fase, pois apresenta características de vários períodos deste estilo, desde a sua fase jesuítica pela austeridade e simplicidade da sua traça nos corpos exteriores e alçados, ao período áureo pelo seu elegante e harmonioso corpo central e as suas janelas de sacada ainda com vestígios das molduras de azulejos e que são mais características do final deste estilo... esta mistura de  desenquadramento, beleza, nobreza, decadência, abandono e desperdício  ainda aguçava mais a minha curiosidade...



A avaliar pela fachada que transmite um carisma nobre e rural, seria fácil de concluir que tinha um passado glorioso, embora na zona me afiançassem que eram apenas as cocheiras do palácio dos Alfinetes...houve até quem me tenha dito que era a sede do Futebol Clube Recreativo Azinhagas, omitindo por ignorância  todo o seu passado...consegui no entanto apurar que:


Esta quinta pertenceu ao Duque de Palmela, tendo antes sido a sede do vinculo instituído pelo cónego Nuno Cunha de Eça, no Séc. XVII. Foi adquirida posteriormente pela CML que se deve ter esquecido de a recuperar e manter. Este palácio está localizado entre blocos de apartamentos de habitação social e foi completamente estrangulado pelo espaço envolvente. O seu glorioso passado é testemunhado por uma palmeira e por restos de azulejos do Séc. XIX que representam trabalhos rurais, as "Avé Maria" e os "Dar de beber", são também visíveis os vestígios das molduras das janelas que certamente lhe emprestavam  um charme que hoje em dia está longe das suas memórias mais antigas. 

bibliografia : "O formoso sítio de Marvila"
Carlos Consiglieri e Marília Abel

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O Chafariz do Século

O Chafariz do Século, foi em tempos conhecido por "Chafariz da R. Formosa", é mais um monumento abandonado do património de Lisboa. Foi edificado em 1760 no reinado de D. José e a sua traça é atribuída a  Carlos Mardel, desenhado num requintado estilo em que neoclássico se mistura com o barroco final. É o espelho de uma sociedade outrora próspera e culta em que os serviços públicos serviam uma população com a dignidade que esta merecia.


Hoje este chafariz   encontra-se em avançado estado de degradação. Foi classificado monumento nacional e  desta vez não foram os grafiteiros que arruinaram esta obra de arte pública... se olharmos com atenção, podemos imaginar as carrancas a balbuciar..."vamos dar de beber à dor"...
Foi simultaneamente vandalizado pela CML,  pela EPAL e IPPAR, que ao longo de vários anos se esqueceram de o manter permitindo que chegasse a este deplorável estado ...




Está localizado na R. do Século em frente ao antigo palácio onde nasceu Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro marquês de Pombal, para onde sabiamente canalizou os seus sobejos. Era servido por uma derivação da Galeria do Loreto, na Pia do Penalva, entre o Príncipe Real e a Rua D. Pedro V. Este chafariz tinha 4 Companhias de Aguadeiros, 4 capatazes, 132 aguadeiros e um ligeiro...bons tempos em que o trabalho não faltava...


Por ser construído em pedra calcária, a sua estrutura não necessita de muito mais do que uma limpeza de cosmética e das contas da água em dia, o que torna ridículo o investimento na sua recuperação. Uma vez que o reservatório do príncipe real fica a escassos metros, não o poderiam incluir no mesmo orçamento e criar com ele uma sinergia?? Já que investiram tanto no Jardim do Príncipe Real em prol da reestruturação urbana e do bem estar da população, não poderiam zelar por quem realmente precisa de ser reabilitado??

sábado, 16 de janeiro de 2010

As Quintas de Chelas

Fui convidado a participar numa iniciativa da Fábrica do Braço de Prata, uma exposição colectiva com o tema "Os bairros orientais de Lisboa", a exposição será no próximo mês de Março e o projecto Ruin'Arte estará patente na sala Arendt.


Quinta da Salgada

Como  todas as exposições requerem uma preparação, comecei a aventurar-me por aqueles bairros nunca dantes navegados por maior parte dos lisboetas. São bairros distantes com acessos difíceis, o ambiente urbano é degradado o que também não convida ao turismo, a população é rústica e há violência nos bairros sociais...

Quinta das Fontes


Tudo isto acabam por ser dogmas já instituídos, cada vez que lá fui travei "amizades" com tantos quantos interpelei, embora muitas das suas azinhagas sejam estreitas (principalmente para quem se desloca num furgon), os acessos são tão fáceis como qualquer outro bairro de Lisboa.


Vila Domingos Henrique Jr.


A sua arquitectura é uma miscelânea de épocas ,  estilos e funções, estruturas militares, agriculas, habitação social, eclesiásticas, palacianas e industriais, misturam-se em harmonia testemunhando os vários e gloriosos períodos daquele bairro...


Quinta dos Alfinetes (muitas vezes confundida com o palácio do Marquês de Abrantes)


Embora seja uma das zonas mais antigas de Lisboa, é também uma das que menos informações em relação ao património arquitectónico tem...nunca tive tantas dificuldades em documentar as minhas reportagens.


Quintas dos Padres


Além dos nomes das quintas pouco ou nada mais se sabe, já telefonei a vários departamentos da CML, andei que nem uma "pombinha da Catrina" de serviço em serviço, estive no GEO e consultei muiiiitos arquivos, chego a ficar com pena de quem me ajuda, sei que sou chato...


Quinta da Bela Vista


Até que me enviaram por email as referências de boa parte dos edifícios no arquivo da CML, mas infelizmente o meu sistema operativo não permite uma navegação naquele site...tenho de lá ir em breve...

Quinta do Pombeiro

A identidade destas quintas perde-se na memória do bairro e algumas já tiveram várias designações e funções, o que dificulta ainda mais a procura....há também trocas de identidades que põem em causa a integridade das informações...


Quinta do Alto das Conchas ou Conchinas

Espero que alguém me possa ajudar e deixo aqui um apelo para recolher documentação destes edifícios, assim que a recolha farei posts completos com as respectivas reportagens...




Quinta do Sargento ou "larguinhos"




Quinta na estação de Chelas

 
Palácio de Santa Catarina

Ah!!! Se alguém  souber de qualquer outro local nesta zona que possa ser incluído neste projecto, não deixe de me avisar...

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