quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Um ano de Ruin'Arte

Foi com alguma surpresa que notei que o ruinarte.blogspot.com, tinha feito no passado dia 3 um ano de existência...devo portanto auto parabenizar-me e fazer um “relatório de contas”...
Após dois anos de trabalho exaustivo e um ano de blogosfera, visitei cerca de 600 ruínas, editei 1250 imagens, escrevi perto de 140 textos e tive quase 38.000 visitas a este nosso espaço...
Realizei duas exposições, juntei 170 seguidores, 710 amigos no Facebook, fui destacado em 8 órgãos de comunicação social, umas dezenas de sites e blogues...
Percorri este País à beira mar abandonado desde o Algarve a Trás os Montes, discursei em duas ocasiões...
 Enviei cartas e cartões, emails e telefonemas, entrevistas e reuniões...
Acordei fantasmas, desvendei mistérios, coleccionei estórias para contar aos netos nos serões de Inverno, conheci personagens incríveis, visitei locais fantásticos, fiz pesquisa histórica...
Cultivei-me a todos os níveis, ganhei maturidade fotográfica, informática, linguística, histórica, filosófica, política, social...
Vi edifícios a desaparecer, outros a serem recuperados, descobri património há muito esquecido, percorri caminhos nunca dantes percorridos...
Visitei castelos, fortes, quartéis, fábricas, estaleiros, minas,  igrejas, conventos, palácios, quintas, prédios urbanos, moradias, chalets, hotéis, sanatórios e barracas...
Ganhei notoriedade e algum protagonismo, fui reconhecido pelo mérito do projecto e pela minha carreira profissional...
Trabalhei sempre por “amor à camisola”, gastei o que tinha e o que não tinha, marquei a minha passagem terrena e constituí património...
Vivi alguns dos momentos mais marcantes da minha vida... embora estas reportagens sejam normalmente solitárias, fui por vezes  bem acompanhado em ruinosas expedições em que o convívio foi sempre saudável,  e ainda aproveitei para  passear o cão...
O já famoso cãopanheiro, cãopincha, cãomarada e sacanideo, o fiel Edgar que pacientemente e alegremente enriqueceu este longo trabalho com a sua incomparável simpatia e fotogenia...

O saldo final é fantástico!!! Exceptuando o plano financeiro estou infinitamente mais rico!!! Levei a mensagem a um público cada vez mais vasto e a causa do património está a ganhar novas dimensões...
Quero e espero conseguir manter este projecto em diante, pois segundo estatísticas, há em Portugal perto de 1000.000 de ruínas e ainda me faltam 999.400 para levar a cabo esta demanda...
A todos os que me seguem, ajudaram e/ou contribuíram de alguma forma ... 
                           
Bem hajam e muita LUZ!!!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

11ª Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira

Caríssimos amigos...

Foi uma grande honra ter sido convidado para esta iniciativa. Por esta exposição não ter sido incluída nos concursos da bienal por ter sido considerada "de um artista consagrado", não vou poder aspirar a qualquer prémio ou menção honrosa...é lixado, fazia-me jeito ganhar umas massas, porém o meu ego foi promovido e será uma mediática oportunidade que pretendo aproveitar da melhor maneira...

 Estão desde já convidados para este grande momento do Projecto Ruin'Arte e conto com a vossa presença...
Estarão patentes 40 imagens seleccionadas de uma colecção que já conta para cima de 1200 fotografias de diversos edifícios que fazem parte da nossa história...
O horário da galeria é das 9.30h-12.30h e das 14.00-17.30h, será inaugurada 6 de Novembro e estará patente até dia 12 de Dezembro, na galeria de exposições Augusto Bértholo (Museu Dr. Sousa Martins), Largo do Cais nº3, em Alhandra.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

As Obras do Dr. Bacalhau - Espinhal


Foi mais uma ruinosa aventura que levou este vosso amigo a um local pitoresco e “perdido” neste País à beira mar abandonado.
Por não ser propriamente uma ruína, esta reportagem de certo modo desenquadra-se deste projecto, no entanto, e pela sua história mereceu a atenção da minha objectiva.
É um edifício inacabado que conta uma rocambolesca epopeia. A sua arquitectura é de “gosto duvidoso” pela desproporção da sua traça e pelo “estilo” que nos apresenta, sendo uma espécie de miscelânea arquitectónica com aspirações palacianas.
Foi edificado pelo Prof. Dr. José Bacalhau, um eminente médico e professor da Universidade de Coimbra, cujo sonho era construir uma unidade hoteleira de luxo no desertificado interior, dinamizando dessa forma o turismo na zona.
Para levar a cabo essa demanda, adquiriu peças de cantaria e estatuária oriundas de várias demolições, entre as quais se encontra o Hotel Avis, onde Calouste Gulbenkian vivia em Lisboa, o que daria a este edifício um cariz erudito.

O projecto data dos finais dos anos 50 e o local escolhido foi o Monte Calvário, por ter encontrado oposição local, acabou por decidir construir o seu sonho no sítio do Penedo Gordo, na Serra de Santa Maria -  Espinhal.

As obras tiveram início nos anos 60 e nunca foram concretizadas, o seu lento progresso deveu-se à falta de meios financeiros com que o Dr. Bacalhau se deparou, no entanto chegou a disponibilizá-las para alguns acontecimentos sociais de relevo, antecipando assim a sua "inauguração".
Teve aqui lugar no dia 23 de Maio de 1968, Quinta Feira da Ascensão, uma reunião de confrarias da região e foi presidida pelo Bispo-Conde de Coimbra, tendo sido um sucesso social.
Sem se ter dado conta que os terrenos onde foi edificada esta obra pertenciam à junta de freguesia, foi mais tarde gerar outro imbróglio que acabou por se solucionar em 1973, pela doação por parte da sua herdeira à dita junta.
D. Francelina de Jesus, sua governanta e fiel servidora, foi a legatária em preterimento dos restantes familiares para herdar a propriedade. Sendo uma pessoa humilde e com a melhor índole, resolveu-se pela doação  do imóvel e pela venda do mobiliário para angariar os fundos necessários para a construção de uma Biblioteca Museu Prof. Doutor José Bacalhau, o que nunca passou do projecto. Só agora a C.M. de Penela começou a restaurar e catalogar o espólio do Doutor Bacalhau, e será depositado na Casa da Cultura do Espinhal...bem hajam....
Por não ter destino para dar a esta empreitada, a junta de freguesia selou o local para evitar a  vandalização que não tardou. Foi após o 25 de Abril que o saque começou, a maior parte das ferragens, a estatuária e os materiais de construção foram desaparecendo, e segundo o que ouvi, sabe-se do paradeiro de parte deste espólio que anima alguns jardins de particulares e nada é feito para o recuperar...
Já nos finais do passado século, instalou-se aqui o Patriarche, uma instituição para recuperação de toxicodependentes, que se propuseram a recuperar este local, tendo-o deixado ainda em pior estado.
Foi recentemente entregue à  Associação Portuguesa de Medicina Preventiva, uma associação sem fins lucrativos que com todo o mérito e esforço está neste momento a recuperar todo o complexo, aqui será instalada uma clínica de medicinas tradicionais que fará justiça ao projecto inicial e fará igualmente as delícias do Dr. Bacalhau.

sábado, 23 de outubro de 2010

Edifício do CLIP - Foz do Douro - Porto

Foi durante um périplo pela invicta cidade, em que fui à descoberta de ruinosas estruturas para aumentar esta infindável colecção, que me deparei com esta pérola arquitectónica.
É mais uma ruína que chega a ofender além da paisagem, ofende igualmente a inteligência de um galináceo... não apenas pelo seu valor imobiliário e patrimonial, mas como também pela incapacidade de aproveitamento deste espaço e da sua privilegiada localização... uma vez mais deveria ser evocada a Lei das Sesmarias!!!
As burocracias e os direitos de propriedade, tais como o hiperproteccionismo que  as entidades competentes (?) que tutelam o património arquitectónico e o planeamento urbano, fazem questão de fazer prevalecer as suas rigorosas medidas de protecção e são muitas vezes a sentença de morte de um valioso património que é a vitima constante dos seus excessos de zelo.
Este edifício fica situado na esplanada do Rio de Janeiro na Foz do Porto, foi construído no início do séc. XX, e era propriedade da STCP, empresa de transportes públicos , funcionou como uma subestação de fornecimento de energia eléctrica e que esteve activa até 1974.
Esteve devoluto até 1986, ano em que foi cedido ao CLIP, Colégio Luso Internacional do Porto, onde funcionaram as suas instalações provisórias. O CLIP iniciou o seu primeiro ano lectivo em Setembro de 1990 e ali se manteve até ao final dessa década.
Foi depois abandonado quando este colégio se mudou para as novas instalações e desde então que aguarda um melhor destino. Embora haja desde 2001 um projecto de conversão deste edifício para uma discoteca do grupo K, a “Kasa da Praia”...nada ainda foi feito nem tampouco há vestígios de vontade de o fazer...
Não compreendo certos investimentos camarários em que esbanjam o erário em “esculturas pop”, como a sua vizinha “escultura anémona”, que anima a Rotunda da Circunvalação que dista apenas alguns metros deste local, quando há outras necessidades muito mais urgentes que ameaçam desaparecer para sempre...
 
Para saber mais: http://sites.google.com/site/cliparturvictoria/Home


terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Castelo do Engº. Silva - Figueira da Foz

Este castelo é um dos ex-libris da Figueira da Foz e tem uma inspiração revivalista, onde são presentes vários elementos medievais e manuelinos.
Por não ter conseguido apurar a autoria da sua delicada arquitectura graciosamente traçada, e após de ter consultado vários registos incluindo os municipais,  afirmo uma vez mais com frustração que além de se perderem os nossos melhores edifícios por incompetência e excessos burocráticos, (ainda por cima num País em que tudo se regista em triplicado), perdem-se  também elementos fundamentais da nossa história.
Foi edificado entre os Sécs. XIX e XX, quando as residências de veraneio floresciam nas estâncias mais aprazíveis e espelhavam a cultura e fortuna de cada proprietário, marcando a paisagem com os melhores exemplos de criatividade que enriqueceram o nosso património arquitectónico.
Esta romântica residência fica situada na “Esplanada Silva Guimarães”, Figueira da Foz, causando por vezes o engano quanto ao seu primeiro proprietário. Os seus nomes são frequentemente confundidos embora não haja relação entre os respectivos “anfitriões”.
O castelo deve-se a Francisco Maria Pereira da Silva, um engenheiro hidrográfico que foi incumbido por portaria régia do desassoreamento da barra e do rio Mondego. Já a esplanada é uma homenagem a Silva Guimarães, um filantropo que muito contribuiu para esta cidade e que foi o fundador da Mina de Carvão do Cabo Mondego.
Foi generosamente legado ao município, tal como todo o seu recheio em 1931 pela sua última proprietária,  D. Maria Beatriz Baldaque da Silva, filha de Francisco Maria e de sua mulher, Isabel Maria da Nóbrega Baldaque.
À sua morte em 1942 e como o cumprimento deste legado trazia onerosos encargos, foi então deliberado que a herança não representava quaisquer benefícios para a cidade, tendo esta renunciado o espólio e passado a propriedade do estado.
Foi em 30 de Agosto de 1999 que finalmente e definitivamente foi cedida pelo estado ao município da Figueira da Foz,  e continua a agonizar numa morte lenta e à espera de uma intervenção que lhe devolva a dignidade à muito perdida.

Para saber mais :http://www.monumentos.pt/Monumentos/forms/002_B2.aspx?CoHa=2_B1

sábado, 9 de outubro de 2010

Era uma casa muito engraçada...

 Quando era pequenino, no princípio dos anos 70, dava na RTP um desenho animado que mandava os putos para a cama...
Era uma cantilena bem animada com versos de Vinicius de Morais  e toda a rapaziada a conhecia, diria mesmo que faz parte da cultura de qualquer miúdo da minha geração...e era assim:
Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha tecto
Não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
 Mas era feita com muito esmero
Na rua dos Bobos
 Número zero





LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...