domingo, 6 de novembro de 2011

III ano de Ruin'Arte


Pátio de D. Fradique - Lisboa

Pois é... este nosso projecto já conta com três anos de ruinosas aventuras, foram 1095 dias  de exaustivo trabalho em que coleccionei boas histórias, amigos, aventuras e desventuras várias...
Tercenas do Marquês - Lisboa

Já percorri este nosso arruinado País de Norte a Sul, tendo recolhido perto de oito centenas de tristes reportagens e perto de mil e oitocentas imagens já editadas e muitas mais ainda por editar...
R. Direita de Cascais

Com este trabalho consegui ganhar notoriedade, maturidade, cultura, amizades e um sem fim de memórias que guardarei como meu património emocional.
Quinta d'Aguilha - S. Domingos de Rana

Todos estes edifícios contam-nos histórias há muito esquecidas que tive o grande gozo de relembrar,  alguns desapareceram para sempre, outros foram reabilitados, mas a sua maioria continua a viver em agonia e à espera de solução.
 Forte do Areeiro - Oeiras

Durante este período, participei em conferências e outras actividades onde partilhei a minha experiência e fui ouvido com atenção, sem me aperceber tornei-me uma espécie de "autoridade" neste ruinoso tema que ironicamente me tem conduzido à ruína.
 Forte do Abano

Ruin'Arte foi também mentor de um projecto de várias turmas da EBI D. Carlos I em Sintra, tendo sido este um dos momentos mais altos desta ruinosa carreira, pois saber que contribuiu directamente para sensibilizar a próxima geração, dá sentido a toda esta epopeia e dá-me alento para continuar.
 Hotel Miramar - Monte do Estoril (demolido)

Com surpresa minha, ouço ecos deste projecto em cinco continentes, e acima de tudo, tenho amigos em quase todas as terras que visito... que além de me inchar o ego, testemunham que não trabalho em vão...
Mosteiro de N. Sra. de Seiça

O Ruin'Arte nasceu às portas do Mosteiro de Nossa Senhora de Seiça, no dia 6 de Novembro de 2008, o céu estava lindo e o Mosteiro cheio de  graça posou com a sua elegância arquitectónica, dando-me os seus melhores ângulos... desde então já lá voltei mais duas vezes e ficámos grandes amigos, a nossa cumplicidade será eterna, as minhas cinzas estão-lhe prometidas...

 Convento de Jesus - Viana do Alentejo

Desde então que continuo esta ruinosa saga com sagacidade diária e acabei por ser vitima de mim próprio... como optimista que sou, pensei que sem cunhas e apenas com a qualidade e interesse  deste trabalho, conseguiria com alguma facilidade obter financiamento para esta ruinosa demanda, através de livros, galerias e colecções privadas, mecenas e patrocínios...
Ponta  dos Corvos - Seixal

Já merecemos a atenção de vários órgãos de comunicação nacionais e estrangeiros, fomos referidos e mostrados na RFM, RTP, Expresso, DN, DIF, Público, Jornal I, Gingko, Revista Pedra & Cal, Independent Sunday e entre outras edições . Ouvem-se ecos cibernéticos nos quatro cantos do mundo...
 
  Refugio Aboim Ascensão - Lisboa

A palavra passa à velocidade de fibra óptica e a mensagem chega cada vez mais longe. Estou ciente que o Ruin'Arte tem contribuído para a causa do património e que esta  tem cada vez mais importância nas nossas vidas.
Paço das Alcáçovas

Por este trabalho ter atingido uma proporção que nunca imaginei, e por ter investido  três anos da minha vida, em que fui jornalista, fotógrafo, historiador, turista, orador, "empresário",  curioso, e um sem fim de funções que tive de desempenhar... muito aprendi e muito gastei... acabei por ficar refém/prisioneiro deste projecto...  são precisos apoiantes para esta causa que é de todos nós e contamos convosco nesse sentido.
Casa Barata Lima - Vila de Alvares

Foram realizadas onze exposições de fotografia com partes desta colecção, que deram a conhecer um um grande publico esta nossa ruinosa situação.
Quinta de D. Afonso - Montemor-o-Novo

 - Fábrica do Braço de Prata, Maio de 2010.
 - 11ª Bienal de Vila Franca de Xira, Novembro de 2010.
 - Museu da Água (Reservatório da Patriarcal), Março de 2011.
 - Palácio das Artes, Porto, Abril de 2011.
 - Arte na Linha, Estoril, Abril de 2011.
 - E.B.I. D. Carlos I, Sintra, Maio 2011.
 - Galeria APAV, Junho de 2011.
 - Cimeira do Património na Univ. Lusófona.
 - Bienal de Porto Santo, Julho de 2011.
 - Museu do Teatro Romano, Julho de 2011.
 - Jornadas Europeias do Património, Monchique.
 - Livraria Ferin, Outubro 2011.
  Ermida de S. Pedro - Viana do Alentejo

Estão já agendadas mais três exposições, e a colecção anda dispersa entre outras duas actualmente patentes (Livraria Ferin e Museu do Teatro Romano), é um investimento difícil de suportar uma vez que todas estas mostras têm sido feitas com sentido filantrópico e o "amor à camisola" tem limites, mais que não seja financeiros.

 Armazém industrial - Xabregas
Tem-me sido proposto por algumas entidades culturais fazer mais exposições por este País fora, o que muito me agrada, no entanto terei que me manter aberto a esses convites apenas se forem patrocinados, pois o meu raio de acção dificilmente ultrapassa o meu código postal e estas coisas saem-me do meu esfolado pêlo...
Soc. Comercial Abel Pereira da Fonseca - Poço do Bispo - Lisboa

Mas voltando à dimensão deste trabalho, que é difícil avaliar em vários sentidos sem ter a noção do seu conjunto. Seleccionando uma imagem de cada edifício, decidi fazer aqui uma exposição dos monumentos e momentos mais representativos desta monumental aventura. 
 Marvila - Lisboa

Sabendo que nem todos podem ter o acesso facilitado a este acervo na sua forma física, aqui fica uma versão virtual de uma mostra Ruin'Arte, mais completa do que qualquer outra exposição...
 
 Palácio Condes de Coculin

Embora este trabalho seja muito maior em termos de volume, uma vez que a maioria das reportagens chega a ter dezenas de imagens, além de terem sido omitidos vários edifícios menos representativos, há ainda que contar com as reportagens que estão em "banho Maria"... em breve e atempadamente dedicar-me-ei a elas com mais afinco, pois este projecto não irá parar...!!!!
 Palacete no Bairro do Pote de Água- Lisboa

Uma vez que segundo estatísticas recentes, há neste abandonado País à beira mar plantado, cerca de um milhão de ruínas, terei de reencarnar mais de cinquenta vezes para dar conta deste recado... espero que recuperem algumas para me facilitar o trabalho.
 Convento de N. Sra. das Portas do Céu - Telheiras

Neste espaço já foram abordados temas de várias índoles, aqui se falou de história, património, arquitectura, política, sociedade...
 Igreja Matriz de Oriola

Este blogue serviu também para a partilha de memórias pessoais e colectivas, foi local de reencontro  de amigos e familiares, foi espaço de tertúlias  e dissertações...
 Praça do Quebedo - Setúbal

 Ramal da Alfândega  - Porto

E agora não me apetece dissertar mais, senão este post arrisca-se a ficar maçudo...
 Av. Marginal - S. João do Estoril
R. de Olivença - Estoril
 Ermida ou Pincarinho de S. Vicente - Viana do Alentejo
Casa do Arco ou residência do governador do Forte do Bom Sucesso
 Quinta do Monte Carmo - Alto de Sto. Amaro
 Campo das Salésias - Junqueira
 Casa Henrique Sommer - Cascais
 Fábrica Mundet - Seixal
R. da Conceição - Lisboa
Palácio das Obras Novas - Azambuja

 Igreja de S. Pedro - Marateca
 Fábrica dos Cabos de Ávila - Alfragide
Baptista Russo - Lisboa
 Vivenda Rafaela - Azenhas do Mar
 Casal Três Marias - Azenhas do Mar
Quinta em Carnaxide
 Casa de S. Francisco - Estoril
 Casa de Veraneio - S. Pedro do Estoril
 Campo de Futebol na Barrosinha - Alcácer do sal
 Palácio dos Condes da Ribeira Grande - Lisboa
 Gist Brocades - Cruz Quebrada
 Quintada Alagoa - Carcavelos
 Paço da Tourega
 Fábrica de Tintas no Alvito - Lisboa
 Oficina de Cantoneiros - Paço de Arcos
 Casa do Desembargador Correia de Sá
 Chalet Elvira - S. Pedro do estoril
 Quinta em Setúbal
 Moinho em Montevil
 Casa em taipa - Alentejo
 Palacete na R. da Junqueira - Lisboa
 Fonte pública em Montemor -o-Novo

 Casino setubalense
 Fábrica do Braço de Prata - Lisboa
 R. Sant'Ana à Lapa - Lisboa
Quinta dos Lilases e das Conchas - Paço do Lumiar
 Quinta do Duque - Alpriate
 Armazém industrial - Lisboa
 Palácio Alvito ou Almada Carvalhais - Lisboa
  Fábrica Vulcano - Lisboa
 Cine-Teatro Portela - Sintra
 Convento de N. Sra. do Loreto - Tancos
 Chalet Victória - Olhão
 Cine Atlântico - S. Pedro do Estoril
 Casa de Júlio de Castilho - Lisboa
 Moinhos no rio Nabão - Tomar
 Oficina de cantoneiros - Sintra
 R. do Alecrim - Lisboa
 Fábrica em Olhão
 Palácio do Machadinho - Lisboa
 Asilo 28 de Maio ou Lazareto Novo- Porto Brandão
 Monte das Relvas - Santiago do Cacém
 Casa rural no Algarve
 Ribeira de Lisboa
 Cascais
 Cascais
 Vila Garcia - Pedrouços
 Fábrica Mendes Godinho - Almada
 Parede
 Parede
 Palácio Pidwell - Sines
Vivenda Sant'Ana - Sintra
 Sintra
 R. do Bolhão - Porto
 R. do Bolhão - Porto
 Cascais
 Cascais
 Praia da Poça - S. João do Estoril
 Mouraria - Lisboa
 S. Bento - Lisboa
 S. Paulo - Lisboa
 R. da Boavista - Lisboa
 Bairro Alto - Lisboa
 Escadinhas do Duque - Lisboa
 Alfama - Lisboa
 Alfama - Lisboa
 Alfama - Lisboa
 Alfama - Lisboa
 Alfama - Lisboa
 Alfama - Lisboa
 Alfama - Lisboa
 Casa do Mirante - Samouco
 Fábrica Corticeira Tavares - Montijo
 Teatro Tália - Lisboa
 Quinta da Amoreira - Carnide
 Torre do galo - Ajuda - Lisboa
 Campo Grande - Lisboa
  Campo Grande - Lisboa
 Chalet - cova da Piedade
 Quinta da Granja de Baixo - Benfica - lisboa
 Bataria da Alpena - Trafaria
 Ermida de S. Saturnino - Serra de Sintra
 Palácio do Raio ou Restani - Queluz de Baixo
 Cavalariças de santo Jorge - Estoril
 Bataria de Alcabideche
 Escola do Bairro de Camões - Entroncamento
 Cinema Paris - Lisboa
 Escola Prática do Serviço de Material - sacavém
 Cais industrial - Almada
 Forte de S. Sebastião da Caparica - Trafaria
 Ermida de N. Sra. da Conceição - Trafaria
 Quinta do Saldanha - Montijo
 Casa rural - Lagares da Beira
 Estufas da Condessa d'Edla - Sintra
 Quinta das Ameias - Areeiro - Lisboa
 Quinta do Condado ou Alfinetes - Chelas - Lisboa
 Bataria da Parede
 Forte de Santa Apolónia - Lisboa
 Vila operária - Marvila
 Bairro Domingos Júnior - Marvila
 Quinta do Padres - Chelas
 R. de S. Tomé - Mouraria
 Escola de cegos - Branco Rodrigues - S. João do Estoril
 Quinta do Pombeiro - Chelas
 Quinta das Conchas - Chelas
 Quinta das Fontes - Chelas
 Pátio do Larguinho - Chelas
 Quinta de Santa Teresa - Chelas
 Uma das mais belas quintas de Chelas
 Vila Ana e Ventura - Benfica - Lisboa
Hotel Netto - Sintra
 Quinta na Serra de Sintra
Fábrica de Cerâmica de Arganil
 Restaurante Boa Viagem - Caxias
 Quinta do Abraão ou do Vale lebrão - Chelas
 Foz do Sousa
 Palácio do Visconde da Gandarinha - Sintra
 O Amorzinho - Azenhas do Mar
 Estrada de Colares
 Azenhas do Mar
 Palacete na Estrada de Benfica
 Convento de Penafirme
 Hotel do Muxito - Cruz de Pau
 Torre de controle de tráfego marítimo - Cacilhas
 Quinta da Torre - Miratejo
 Vila Sousa - Prémio Valmor 1912 - Lumiar
 Teatro ABC - Parque Mayer - Lisboa
  Parque Mayer - Lisboa
  Teatro Capitólio - Parque Mayer - Lisboa
 Calçada do Combro - Lisboa
 R. do Poço dos Negro - Lisboa
 Quinta do Serrado - Carnide
 Quinta da (des)Graça - Jamor
 Aldeia das Broas - Mafra
 R. Rosa Araújo - Lisboa
 Paço de Caxias
 Casa de Fernando Pessoa -
 Onda Parque - Caparica
 Caminho da Feiteira
 Torre das Águias - Brotas
 Ermida de S. Sebastião - Brotas
 Torre do Carvalhal - Montemor-o-Novo
 Aldeia de Safira
 Companhia do Cabo Submarino - Carcavelos
 Convento de N. Sra. das Covas de Monfurado
 Praça duque de Saldanha - Lisboa
 Avenida Duque de Ávila - Lisboa
 R. Rosa Araújo - Lisboa
 Fábrica Arealva - Almada
 R. do Comércio - Lisboa
 Fábrica Atlântica da Seca do Bacalhau - Seixal
 Palácio dos Duques de Aveiro - Azeitão
 Quinta do Esteiro Furado - Sarilhos Pequenos
 Miradouro do Marquês de Marialva - Marvila
 Minas de S. Domingos
 Bataria de Albarquel
 Quinta do Regedor - Arrábida
 Praça de Touros da Marmeleira
Real Castelo de Montoito ou Valongo
Edifício Arte Nova - Almeirim
 Edifício Arte Nova - Avintes
 Convento de Verride
 Sanatório dos Ferroviários - Covilhã
 Hotel Serra da Pena ou Águas de Radium - Sortelha
 Casa do Passal - Cabanas de Viriato
 Pavilhões do parque - Caldas da Raínha
 Quinta do Montado - Canidelo
 Colégio CLIP - Antiga oficina da STCP - Porto
 Castelo do Engº Silva - Figueira da Foz
 Obras do Doutor Balhau - Espinhal
 Sanatório da Marinha - Caramulo
 Moinhos de Santa Iria - Póvoa de Santa Iria
 Moinho do Breyner - Paio Pires
 Fábrica Sereia - Paio Pires
 Sanatório de Valongo
 Quinta dos Condes de Paço Vitorino - Vilar de Andorinhos
 Central do Freixo - Porto
 EIP - Porto
 Museu da Imprensa (em recuperação)
 Centro Comercial Cruzeiro - Monte do Estoril
 Central de Captação de Água da Foz do Sousa
 Foz do Douro
 R. do Infante - Porto
vacaria da Quinta da Alegria - Areeinho - Gaia
 Avenida dos Aliados - Porto
 Foz do Douro
 Bairro da Sé - Porto
 R. do Bonjardim - Porto
 Praça Almeida Garrett - Porto
 R. Sampaio Bruno - Porto
 Foz do Douro
 Companhia Portuguesa do Cobre - Rio Tinto
 Quinta em Campanhã - Porto
 Antas - Porto
 Quinta da Prelada - Porto
 Bairro das Fontainhas - Porto
 R. da Restauração - Porto
 R. de Miragaia - Porto
 Quinta Alegre ou Palácio do Marquês de Alegrete - Campo das Amoreiras - Lisboa

Largo do Moinho de Vento - Porto
 R. do Bomjardin - Porto
 R. do Bomjardin - Porto
 R. Pinto Bessa - Porto
 R. da Boavista - Porto
 Ribeira - Porto
 Avenida Gustavo Eifel - Porto
Armazéns frigoríficos de Massarelos - Porto
 Fábrica do Carvalhinho - Porto
 Bairro das Fontainhas - Porto
 Fábrica Cunha Morais - Crestuma
 Fábrica de Lanifícios da Arrentela
 Moagem do Caramujo ou Fábrica Aliança
 Campo das Cebolas - Lisboa
 R. de S. Paulo - Lisboa
 Instituto Helena Rubinstein - Praça Duque de Saldanha - Lisboa
 Quinta do Algarve - Paio Pires
 Aqueduto de Pegões - Tomar
 Palacete do Pena - Espinho
 Convento de N. Sra. do Desterro - Monchique
 Paço dos Duques de Cadaval - Tentúgal
 
Casa do Conde de Almoster - Sintra
 Forte do Rato - Tavira
 Estalagem do Gado Bravo - Recta do Cabo

 Chalet em Cascais
 Palácio do rei do Lixo ou Quinta do Inferno - Coina
 Moinho de Maré - Seixal
 R. de Marvila - Lisboa
R. de Santa Apolónia - Lisboa
Quinta em Cascais
 Azenhas do Mar
 Praia das Maçãs
 Chafariz da R. do Século - Lisboa

A todos os que têm acompanhado estas ruinosas aventuras, contribuíram de alguma forma para o sucesso deste espaço e me dão força para continuar...
 Palácio do Marquês de Santa Iria - R. do Século - Lisboa
...um grande OBRIGADO e muita LUZ!!!

Gastão F. A. de Brito e Silva




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Mosteiro de N. Sra. do Desterro - Monchique

Dizem que não há coincidências, pois o destino está escrito e é ele que nos guia pelos caminhos da vida... esta foi mais uma  aventura que estava escrita no meu ruinoso caminho...
Enquanto fazia pesquisas cibernéticas na demanda de mais património religioso, deparei-me com este desgraçado monumento que merecia uma visita deste nosso projecto, além de uma urgente intervenção... era o Mosteiro de Monchique, um edifício recheado de história e cheio de rocambolescas estórias.
Todo o seu conjunto tem profundas cicatrizes causadas pelo tempo e pelas intempéries que o atentaram ao longo de séculos, e que com a sua decrépita majestade continua teimosamente a colocar Monchique no mapa do património, como um autêntico símbolo desta linda vila algarvia.
Por estar financeiramente cingido ao meu código postal e pela distância que nos separa exceder largamente o meu raio de acção, tornava-se impossível fazer esta reportagem sem a mão do destino...  era como um chamamento mas adiar a visita seria a única solução.... guarda-lo-ia no meu ruinoso mapa mental até ter uma oportunidade de o visitar...
Nessa mesma hora recebi um telefonema em nome das Jornadas Europeias do Património, na pessoa da Sra. Dra. Isabel Veiga Cabral, a convidar-me a estar presente em Monchique no fim de semana seguinte, integrando o Projecto Ruin'Arte nessas comemorações com uma exposição na galeria municipal, tendo direito a uma ajuda de custo para a deslocação e estadia.
Como se não bastasse, ainda nessa noite recebi uma mensagem de um seguidor que me denunciava este mesmo mosteiro... era demais... tinha que ir, não se pode aldrabar o destino!!!
Além da mediática oportunidade e de todas as entidades que viesse a conhecer, poderiamos levar a mensagem a toda a população, o que  sempre foi a nossa meta... seria ouro sobre azul.
Como o Edgar também quis ir, tivemos que ser instalados nas Caldas de Monchique, que além de aceitar animais é a mais agradável unidade hoteleira de toda a região, e que muito amavelmente nos convidou sem quaisquer restrições... a todos os seus colaboradores um grande OBRIGADO!!!
Por coincidência (?) e entre os colaboradores conheci  o Daniel Florêncio , o seguidor que me indicou o mosteiro... para além de ter feito outros bons amigalhaços e nos terem "estragado com mimos" , a estadia nas termas fez-me ter noção da popularidade que este projecto está a ter. O Ruin'Arte é escutado e ecoa um pouco por todo o País, e em todo o País encontro solidariedade com esta causa que é de todos nós... afinal não estamos sós...
Monchique além de ter uma afável população é uma agradável povoação... é uma terra rica em património... a aguardente de medronhos e a melosa do sr. Paulo José Nunes contribuem generosamente para cultura desta vila, tal como toda a gastronomia local que nos surpreende a cada refeição...são de salientar os enchidos tradicionais como a chouriça, a farinheira, o molho e a morcela, e o tão famoso  presunto, que acabou por gerar uma feira... também a couve à Monchique, a assadura, o feijão com couve, feijão com arroz, grão com massa, todas confeccionadas à base de carne de porco preto são valiosos pedaços de património monchiquense que não podem ser esquecidos dos roteiros culturais.
A Câmara Municipal é dinamicamente gerida pelo mais jovem autarca do País, o Dr. Rui André, que fintou o Ruin'Arte ao acabar com quase todas a ruínas de Monchique, estando-se neste momento a ultimar a aquisição do convento e pôr finalmente um ponto final nesta triste história, fazendo da sua gestão um exemplo para todos os autarcas.
Há uma publicação mensal da Associação do Monchiqueiro, um jornal de carácter social e cultural, que o Dr. José Gonçalo e sua equipa dinamizam com fulgor levando as Monchiquenses notícias a todos os monchiqueiros...
  A Associação das Aldeias Históricas de Portugal teve o papel organizador deste evento,  a perseverança e fibra da Dra. Isabel Veiga Cabral, o apoio da Arqtª Helena Cabral e da minha assistente favorita, a Dra. Helena Mesquita, fizeram deste acontecimento uma memória que guardarei com saudade.
Outros amigos que fizemos, foi o grupo Karnart, do Teatro Maria Matos, que foram a Monchique travar conhecimento com o mosteiro, onde beberam a necessária inspiração para realizar a peça "O Mosteiro", inteiramente dedicada a este monumento... combinámos uma exposição para a inauguração da peça, criando uma sinergia que a todos trará proveito...
 
A nossa colecção foi recebida na Galeria de Santo António , é  um espaço municipal dedicado à arte e cultura. Foi resultado de uma habilidosa reabilitação que deu nova vida a uma antiga capela em ruínas. É gerida pelo simpático Rolf que se tornou meu "sócio"... o ambiente que aqui se vive faz qualquer artista sentir-se em casa.
A “Academia de Música de Lagos” - Nova Filarmonia, também nos brindou com as suas alegres notas, distribuindo alegria e harmonia a quem por lá passou.
A Ana Pinto, foi outra colaboradora que encontrámos nestas ruinosas andanças, além de antiga seguidora deste projecto, é autora dos textos históricos que vos apresento, o que além de me honrar com tal contributo, tirou-me o peso e responsabilidade de rescrever esta malfadada história.
Em 1631, Pedro da Silva, o Mole, funda no lugar de Monchique um convento de que a 20 de Março do ano seguinte a Ordem Terceira Regular de S. Francisco toma posse, com o Provincial P. Frei Manuel de Santo António governando uma pequena comunidade de onze monges. Estes indivíduos seriam possivelmente secundogénitos de famílias influentes da região, e o seu número não terá variado muito ao longo da História do edifício religioso, havendo notícia de que em 1707 albergava quinze frades.
Só depois de instalados no edifício monástico foi deliberado o seu orago, uma vez que “os Fundadores não quiseram dar-lhe a invocação; quiseram que esta a declarasse o Céu”. Nesse sentido, segundo reza a lenda, foram escritas diversos títulos de Nossa Senhora em diferentes pedaços de papel, dos quais um seria tirado à sorte por uma menina. Pois por três vezes a inocente criança terá tirado a invocação de Nossa Senhora do Desterro, como se de um oráculo se tratasse, não deixando dúvidas de que seria essa a vontade da Providência.
Pouco se conhece das funções desempenhadas pelos membros do Mosteiro no seu quotidiano, além da prática da assistência e caridade que caracterizam a Ordem franciscana. Prestavam diversos serviços na igreja paroquial, como a substituição do pároco sobretudo durante a Quaresma, ou para pegar na insígnia sempre que se realizava um baptizado, cuja madrinha fosse Nossa Senhora, já que aquela estava vedada aos leigos, e sabe-se ainda da existência de alguns atritos entre os monges Terceiros de S. Francisco e a Irmandade da Misericórdia.
Os frades também trabalhavam a terra, de onde recolhiam a sua subsistência, e para isso procederam ao desbravamento e transformação em socalcos (localmente conhecidos por “canteiros”) dos terrenos em redor do Convento, e aproveitaram os cursos de água para regar os solos férteis.
Durante os séculos XVII e XVIII, era comum os monges doentes virem de várias regiões do Império para se restabelecerem no convento, com a possibilidade de usarem as águas termais para a sua cura, ao ponto do Cardeal Pereira, em Setecentos, mandar erguer nas Caldas de Monchique um dormitório com banho interior, para serventia dos franciscanos, que terão trazido da Índia a frondosa magnólia multicentenária que se encontra ainda hoje nas imediações do Convento de Nossa Senhora do Desterro, que em 1927 foi considerada a maior da Europa.
A prática gastronómica levada a cabo pelos monges terá também dando origem às iguarias típicas de Monchique, como o substancial bolo de tacho ou de Maio e outros doces, ou até mesmo de cozinhados e enchidos que actualmente consistem no ex-libris da cozinha desta região serrana do Algarve.
Seriam heranças conventuais, ainda em finais do século XIX, as músicas tocadas pela banda nas procissões das Endoenças e na Sexta-feira Santa, os terços pelas ruas da vila, e a sequência da Paixão cantada pela população na Quaresma, segundo narrou o prior David Netto. É também provável que os religiosos de S. Francisco estivessem por detrás da erecção de algumas das capelas existentes, ou já extintas, no concelho.
De acordo com as Memórias Paroquiais, o Abalo de 1755 teve efeitos devastadores neste imóvel monástico, porquanto “lhe cahio parte das abobadas da Igreja e Capela Mor os campanários, sinos e frontespicio em cuja ruínas morrerão duas pessoas, ficando algumas mais feridas, e entulhadas e ahinda juntamente huma parte do Dormitório e claustro e cazas do comum ficando tudo o mais arruinado e os muros todos por Terra”.
 A partir de então, o edifício não terá recebido obras de reconstrução adequadas, facto que contribuiu para a progressiva decrepitude das instalações, que depois da Extinção das Ordens Religiosas pela pena de Joaquim António de Aguiar, e consequente encerramento da comunidade conventual, passa por vicissitudes várias que contribuem para que se degrade mais ainda.
Saído o alvará de D. Maria I, de 6 de Outubro de 1779, recebe o privilégio de uma escola de “ler, escrever e contar”, e em 1798 os viajantes Christian de Waldeck e o coronel barão von Wiederholf testemunham o recolhimento de cinco monges no cenóbio.
 Em 1842, é vendido a uma família liberal em hasta pública, juntamente com a sua cerca, que transforma o Convento em habitação particular, condição em que tem permanecido até à actualidade.
O imóvel encontra-se agora despojado do recheio artístico que decorava o seu interior, do qual se destacam os altares em madeira da igreja e da Capela dos Irmãos Terceiros, com as respectivas imagens de santos, entre os diversos objectos para celebração da liturgia, que foram distribuídos  por outros templos de Monchique e da região, para escaparem à degradação e ao esquecimento.
Por outro lado, o conjunto de azulejos do século XVIII que forrava o refeitório tem vindo a ser delapidado, tanto o painel com a representação da Última Ceia, assim como o silhar de azulejos em que figuram aves, flores, fruteiras e palácios, de influência holandesa.
O próprio imóvel apresenta-se como testemunho orgânico da arquitectura das Ordens Religiosas no reinado filipino em Portugal, associado à versatilidade e racionalidade da arquitectura militar de então, simultânea aos movimentos religiosos reformistas, que apelavam ao recrudescimento da vida monástica, e que explicam o seu aspecto austero e a volumetria unitária da igreja.
Assim, a ruína que hoje se encontra despida do seu conteúdo e descaracterizada pela utilização incorrecta das suas instalações testemunhou a transição dos cânones estéticos austeros maneiristas para o decorativismo exuberante do Barroco, num testemunho único em todo o concelho de Monchique.
E só a qualidade dos materiais e da técnica construtiva podem explicar que, após mais de 250 anos de abandono, o Convento de Nossa Senhora do Desterro se tenha mantido firme, numa atitude de desafio à passagem do tempo, resistindo com a convicção inabalável no seu próprio valor histórico.

   









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