quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Palacete na Praça Duque de Saldanha - Lisboa


Este triste palacete, tem uma das mais felizes fachadas da cidade capital, e para seu azar está estrategicamente situado numa das mais importantes praças de Lisboa, o que o torna numa cobiçada e condenada propriedade, que o poder (económico) teima em fingir que não vê...
Foi alvo de tentativas de classificação que o haviam de proteger contra ataques de vilanagem imobiliária, que por incompetência, desleixo ou quiçá, corrupção acabaram por prescrever... realmente o dinheiro é capaz de cegar e calar até os maiores visionários e eloquentes autarcas, responsáveis pela preservação de valores que lhes foram confiados...
A praça Duque de Saldanha  tem sido vandalizada ao longo das últimas décadas, onde foram destruídos alguns dos melhores edifícios de Lisboa dando lugar a verdadeiros mamarrachos. São atentados que nos envergonham como povo civilizado, e acendem-nos um espírito de revolução ainda latente desde 1974.
Será uma estratégia governamental, apagar as nossas melhores memórias para que não nos lembremos dos tempos em que fomos alguém com protagonismo mundial?? Ou é simplesmente os efeitos de um princípio de Peter em que a promoção dos (i)rresponsáveis, colocam nos lugares de proa as tais eminências pardas??
Algo tem de mudar rapidamente, antes que mais nada sobre da nossa depauperada cultura. É no interesse de todos os cidadãos que se preserve esta "jóia da coroa" lisboeta, pois com ela morrerá esta desfigurada praça que já foi magnífica...
Desde tenra idade que o admiro e secretamente o ambicionava como morada, a sua sumptuosidade fazia sonhar até uma criança que ali idealizava um conto de fadas...
Foi também neste edifício que se sediou o MASP (Movimento de Apoio Soares à Presidência),  que conduziu esta figura pública ao lugar cimeiro da hierarquia do estado, esquecendo depois por completo o que devia a este palacete, que todos os dias definha aos impávidos olhos dos que o elegeram.
Mas recuemos uns anos... a sua traça é atribuída ao mestre José Luís Monteiro e foi edificado entre 1907-1908, quando o estilo Arte Nova era moda. Foi dentro deste estilo que surgiram os revivalismos que nos regrediam aos gloriosos tempos da arquitectura clássica, conjugando os vários elementos decorativos transpostos na sua fachada e riquíssimos interiores.
A este maravilhoso palacete, foi adossado um outro edifício de menor protagonismo histórico e pictórico, completando-se em harmonia e tornando este conjunto num invulgar cenário urbano.
 
http://cidadanialx.blogspot.pt/2012/10/pedido-de-classificacao-urgente-de.html

http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/71684/

3 comentários:

  1. Bravo! Acrescento, só, que julgo que o edifício mais recente, que torneja com a Av. Praia da Vitória foi construído naquele que seria um jardim gigantesco, propriedade deste mesmo palacete. Pelo menos assim parece ter sido se virmos as fotos do "antigamente"... Abraço

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  2. Caro Gastão

    Em quase todos os seus posts, tenho sempre esta amarga sensação, que nós os portugueses somos uns bananas e que deviamos manifestar-nos junto a edifícios destes, berrando, cortando o trânsito, exigindo a sua classificação como património cultural.

    Mesmo assim, o Gastão consegue denunciar e protestar através da arte fotográfica contra a destruição do património. Bem haja por isso.

    E este Presidente da Câmara de Lisboa, não há maneira de correr com ele?

    Um abraço

    Luís Montalvão

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  3. Atribuido ao Arqº José Luis Monteiro que entre outros edifícios fez Hotel Avenida Palace, sala Portugal da Sociedade de Geografia.

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