quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Assombração da Especulação e a Rentrabilidade da Propriedade.

 
O património imobiliário e a economia andam de mãos dadas, são até reflexo um do outro
e vivem um do outro. Cada vez que há uma crise financeira, o mercado imobiliário é o
primeiro a ser atingido, e, normalmente muitas destas crises são ditadas por este mesmo
mercado, que como todos, é gerido entre a oferta e procura e pelo "cancro" da
especulação.
A especulação do mercado imobiliário é de longe a mais grave, pois os valores
envolvidos, além de astronómicos, são um entrave para o desenvolvimento de qualquer
projecto por lhe retirar a rentabilidade e competitividade.
Quantas empresas e famílias dedicam a maior parte do seu rendimento a rendas e
empréstimos para poderem ter um tecto? Sendo a habitação ou instalações um bem de
primeira necessidade para manter uma família ou negócio, não é lógico que esta
necessidade sonegue o orçamento de outras tão prementes, estrangulando por
consequência o crescimento saudável de todo um País.
Como agravante, a especulação é responsável por falências e pela desvalorização de
investimentos que nunca serão rentáveis.
Os valores praticados em zonas nobres de grandes cidades, empurram as gerações mais
novas para a periferia, condenando não só a população a um envelhecimento, como à
ruína e abandono de muitos edifícios. Já fui testemunha de casos em que o valor de uma
ruína num centro urbano, excedia cinco vezes o valor de um castelo no Vale do Loire...
isto é especulação!
Poderemos afirmar com segurança, que a especulação imobiliária, é o principal entrave
ao desenvolvimento de um País e característico de "terceiromundismo", devemos
combater este flagelo com todas as armas políticas
Também o património imobiliário é um retrato de uma Nação. Nele se espelha a cultura de
um País, tal como a economia e desenvolvimento, não só pelos estilos e qualidade, como
acima de tudo pelo seu estado de conservação. Na arquitectura nos distinguimos de
outros povos e nela nos revimos com orgulho nacional, são vários os exemplos de
monumentos e edifícios portugueses classificados e até elevados a património da
humanidade, infelizmente nem sempre em bom estado de conservação.
É indesculpável, que muitos edifícios definhem à vista de todos sem que haja alguém que
aja. Qualquer edifício decadente deve ser restaurado ou demolido, pois é uma ameaça à
economia, sociedade, ambiente e acima de tudo, de saúde pública.
Um edifício em ruínas desvaloriza por contaminação ambiental, toda uma rua ou até
mesmo um bairro. Tal como a sua recuperação, certamente também se fará sentir na
melhoria de qualquer localidade.
Ninguém que tenha uma propriedade em ruínas, tem o direito de atrasar a economia e
sociedade, se há um direito à propriedade, é inerente que haja um dever.
Embora qualquer edifício pertença a alguém por legítima escritura, a sua verdadeira
posse é colectiva. A partir do momento em que um ambiente social seja degradado por
contaminação de uma ruína, todos os cidadãos têm o direito de exigir a sua recuperação
e nenhum proprietário, por ganância ou desleixo, tem o direito de atrasar a sociedade!
Segundo um estudo feito pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto,
apoiado em dados do INE, existem em Portugal cerca de milhão e meio de habitações
devolutas, cujo orçamento para a sua recuperação atingem os trinta e nove mil milhões de
euros, se colocarmos a hipótese desse bolo imobiliário valer o mesmo que a sua
recuperação, com facilidade atingimos os valores que a Troika injectou na nossa
economia, ou seja, se explorássemos tudo o que temos abandonado, e Troika nada tinha
cá vindo fazer, além de acabarmos de vez com o desemprego e melhorar
exponencialmente a nossa qualidade de vida.
Qualquer edifício pode ser rentabilizado, mais que não seja de uma forma colateral. Com
certeza que a rentabilidade tem forçosamente de ser ponderada em qualquer projecto, e
nesse sentido, antes de recuperar alguma coisa, deve ser feito um estudo de mercado ou
uma consultoria, garantindo assim a viabilidade do investimento.
Por vezes o maior retorno não é financeiro, mas na economia se reflectirá. Imaginemos
que a recuperação de determinado monumento será rentabilizada com a venda de
bilhetes... será uma espera e um desespero... mas se tirarmos partido dos visitantes que
este local possa atrair, toda a economia será estimulada.
Ao devolvermos a dignidade a um edifício, estamos em simultâneo a devolver a dignidade
a uma população, por conseguinte tudo se valorizará neste ambiente social... isso sim, é
rentabilidade!
Quando um edifício histórico ou carismático é recuperado com fins imobiliários, parte do
seu sucesso comercial está garantido. A associação ao seu estatuto, será o seu
marketing, oferecendo aos clientes uma aura social imediata.
Muitas vezes estas recuperações (se não forem contaminadas pela especulação ou por
danos irreversível à índole do edifício em questão), são uma "aposta ganha" em que
qualquer investidor terá interesse. Infelizmente e por vezes, estas "apostas" esbarram em
autênticos entraves "burrocráticos" que condenam de imediato a vontade de investir, além
do esperado retorno em prazos viáveis. Todos os profissionais envolvidos nestes
projectos devem ser por isso, escolhidos entre os melhores garantido à partida o sucesso.
Cabe-nos como membros de uma sociedade evoluída, dinamizá-la em pleno e em todos
os seus planos aproveitando o legado dos nossos avós, dando assim um bom exemplo e
preparando o futuro dos nossos egrégios netos.

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