terça-feira, 5 de outubro de 2010

Haja LUZ e boa disposição...



Este projecto nasceu de uma velha ideia e de um ideal. Fazer um inventário das ruínas portuguesas, aproveitando o decadente grafismo
que cada uma transmite e contar as suas histórias à muito tempo adormecidas.
 Desde sempre que o património arquitectónico e as memórias lusitanas me despertaram interesse e levei a cargo esta infinita empreitada, com toda a dedicação que o projecto exigia.
 Seria como acordar fantasmas e reescrever episódios históricos e mundanos, que se apagaram dramaticamente das nossas levianas memorias, autênticas páginas arrancadas aos anais da história.
 Seria também uma forma de acordar consciências que fingem importar-se com o estado do nosso património, dar soluções práticas a este flagelo que nos assola à muitas gerações e conduziram Portugal a um estado de ruína...
Enquanto tudo isso acontece, aproveito para me cultivar e enriquecer em todos os aspectos...fiz muitos amigos e amigalhaços, conhecidos e simpatizantes...
 Escrevi história e jornalismo, investiguei e descobri dados dispersos que me permitiram criar novos textos, cheguei inclusive a desmistificar alguns dogmas instituídos...
Enfim, contribuí em termos culturais para a nossa história (pelo menos a apagada) e não há “totomilhões” que me dê um prémio tão grande como conhecimento e vivências que adquiri...
Entrei em “licença sabática” quando o iniciei em Novembro de 2008. Fui seduzido pelo património, arte, patriotismo, história e pelo meu ego que teimava em fazer arte com um tema emocional e que mexe em consciências pesadas e colectivas... espero ter incomodado alguém e incentivado muitos outros...
 Tinha na altura alguns fieis clientes e um “pé de meia” que me permitiram dedicar-me de corpo e alma até encontrar patrocinadores que nunca chegaram...
Tive algumas ajudas na exposição da Fábrica do Braço de Prata, a Colorfoto e a Junta de Freguesia de Marvila, que contribuíram e tornaram possível este evento. A estes dois organismos devo um grande obrigado!!!
Este espaço que é de todos nós, nasceu com uma vertente filantrópica, não comercial, e sempre manteve essa postura.
Não sou um comerciante, sou apenas um fotógrafo e não sei tratar do “vil metal” como trato as minhas imagens, necessito de um agente que me possa ajudar e dar-lhe a ganhar umas “massas”... se conhecerem alguém...
Como é evidente e na qualidade de fotógrafo profissional, devo viver do meu trabalho e com a dignidade que me  é devida.
Sei lidar apenas com os meus trabalhos comerciais, há valores médios de mercado pelos quais me guio, tal como clientes alvo que bem conheço...mas o mercado “fine art” não é o meu forte, como tal prefiro aguardar antes de o abordar, posso-me espalhar e deitar a perder todo este projecto...
Irei em breve abrir uma galeria virtual onde se possam adquirir estes trabalhos, uma vez que nenhuma galeria de arte me abriu portas, à espera que ganhe curriculum artístico e carisma, terei de me representar a mim próprio...
Tenho, antes de o fazer, que ganhar calo e profissionalismo. Sempre transmiti isso aos meus alunos e colegas e devo respeitar as regras, terei que me informar quais os tramites por onde me guiar...
Num País em que tudo irá aumentar exceptuando o poder de compra e depois de dois assaltos no espaço de dois meses, em que fiquei com o material com que trabalho reduzido a uma teleobjectiva, fui inevitavelmente conduzido a uma eminente... posso mesmo dizer, ruína... (ironias do destino)...
É-me portanto impossível  neste momento prosseguir com este projecto, tal como exercer a minha profissão...
Pois é verdade, estou neste momento privado de fotografar por falta de material...às vezes o karma é lixado e esta é mais uma provação que vou ter de ultrapassar... sem querer ser lamechas ou passar por “coitadinho” sou obrigado a reconhecer que preciso de ajuda...
 Embora tenha neste momento um grande acervo de material por trabalhar, não vou poder nos próximos tempos fazer novas reportagens...
 URGENTE!!! GALERIAS , MECENAS e INVESTIDORES!!!! PROCURAM-SE!!!!
Sei que esta colecção tem um bom valor pecuniário, são mais de mil e duzentas imagens que transmitem um grande impacto emocional, além de uma série de crónicas que podem ser publicadas...é tudo o que tenho para dar continuidade a esta hercúlea demanda e terei de as rentabilizar...
 O Projecto Ruin’Arte foi convidado e estará presente na Bienal de Vila Franca de Xira e de Porto Santo, onde com orgulho será representado, sobretudo por não ter tido “cunhas” e “cunhados”...foi um reconhecimento de valor artístico pela parte das comissões organizadoras, o que me deu um grande alento.
Uma vez mais abriu a “caça aos patrocinadores”, vão ser necessárias impressões em papel fine art e molduras, darei as devidas contrapartidas a quem as merecer...

Haja  LUZ e boa disposição...

G;-)~

19 comentários:

  1. Muitos parabéns Gastão!!!
    Ficou muito feliz por si e desejo que o próximo seja um livro onde se possa ver cada fotografia que adoro ver e cada texto que adoro ler e reler vezes sem conta.
    Adorava ter o seu tempo, disponibilidade e arte para este trabalho tão bonito e tão interessante.
    Continuação de um excelente trabalho
    Com carinho e admiração
    Abraço
    Sairaf

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  2. Fiquei devastada com a sinceridade deste post. Só há pouco tempo conheci este projecto mas acho-o uma preciosidade. Resta-me deixar-lhe uma palavra de alento, desejar as maiores felicidades e que encontre soluções para continuar este trabalho, por si e por nós...
    Margarida

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  3. Aqui deixo uma palavra de ânimo e os meus votos de que o merecido apoio possa chegar em breve.
    Um abraço, e tudo de bom!!

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  4. Há coisas ingratas. Não sei bem como valer-lhe, mas no panorama editorial nacional ou estrangeiro, não há nada que lhe sorria? Nem mesmo uma bela capa dum livro?
    Votos de boa sorte!

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  5. Mesmo antes de ler o texto deste post, e porque já conhecia o blog, tinha colocado o link num forum onde participamos uns quantos que gostamos de fotografia, e até um ou outro que a ela se dedicam de forma profissional.
    Quanto ao seu apelo pessoal, de pouco lhe posso valer, para além de divulgar.
    Faço votos de que as coisas acabem por se compor. Tanto por que o meu amigo precisa disso, como porque nós todos precisamos e continuamos a contar com este excelente projecto.

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  6. não conhecia, venho através de uma partilha no facebook. gostei muito deste espaço virtual, que considerei de excelência, muito embora não seja expert em qualquer dos temas

    desejo-lhe boa sorte, porque merece e precisa, permita-me arrogância de um conselho:

    se houver 'cunhas' aproveite.. na verdade, costumamos a desprezar essa realidade como se retirasse valor. não é verdade. o valor do trabalho e da arte, não dependem de 'cunhas', porque se não houver algum desses pressupostos, não há mão que valha, e por isso devemos aproveitar todas as ajudas que venham por bem.

    dizer que fulano fez isto ou aquilo porque teve uma 'cunha' pode ser um comentário maldoso e uma falsa moral.
    todos precisamos de ajuda, por vezes, ou muitas vezes

    parabéns pelo seu trabalho e inspiração

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  7. Amigo Gastão:

    É, de facto, lixado o panorama nacional... onde projectos como o teu sofrem e padecem das vicissitudes de um país que não os sabe valorizar.

    De pouco posso ajudar na parte mais profissional (porque, infelizmente, não tenho contactos a esse nível)... mas ajudarei certamente na divulgação deste teu post, junto dos meus contactos.

    Fazendo votos para que tudo corra pelo melhor e possas continuar de vento em popa com este teu excelente projecto, aqui te envio os meus pensamentos positivos!

    Abraço

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  8. Gastão,

    Não é novidade: Portugal não o merece nem à sua arte.
    Mas ainda bem que cá está, porque precisamos muito do Ruin'Arte e com ele divulgar, multiplicar exigir acções concretas.

    Muito obrigado pelo seu trabalho, estamos solidários neste momento "ruinoso" (?)e, tenho a certeza, temporários.

    Para além da divulgação do projecto, que vou fazendo desde que o conheço, no que puder ajudar, disponha (e se surgir alguma ideia, algum contacto, digo-lhe de imediato)

    Até breve, até sempre
    Teresa Leal

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  9. Pois... estou a tentar encontrar palavras e só me lembro da frase "ruina moral"!!?? Além das ruinas materiais que existem. Tal como outros comentários o que posso fazer é divulgar o blog e as suas espectaculares fotografias. Porque este projecto não pode acabar. Pensamentos bons.

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  10. Alô Don Gaston,

    Que momento triste... Caramba..., roubaram-te o material!?... bolas, que maré de azares :-(

    Tenho estado aqui a tentar pensar de que forma poderei ajudar e, a única que me ocorre, é de quando fizer algum contacto com a finalidade de divulgação do meu trabalho/projecto também possa incluir a divulgação do teu.
    Fazes muito bem em não desistir, e nós, (o teu grupo de fãs ;-) estamos cá para te apoiar nas medidas que nos forem possíveis.., por isso, uma vez que fui eu que te incentivei para que concorresses ao POP UP, quando tiveres alguma resposta efectivamente concreta relativamente a esse evento e se for para seguir para a frente, fala comigo primeiro para ver se conseguimos arranjar alguma forma de não desistires.
    Até lá, muita força!
    RR

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  11. Gastão,

    tenho muitas vezes pesadelos com esta história do roubo do material fotográfico.
    Nem sei o que dizer.
    Se puder ajudar.
    Um abraço e muita luz!

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  12. Boa sorte. O mínimo que posso fazer é divulgar o trabalho que admiro.

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  13. Tente a EPSON, conheço fotógrafos que conseguem a contribuição deles com o papel, em troca de um logotipo no local da exposição.

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  14. Nos seus textos que acompanho não há muito tempo, encontro sempre a realidade crua e fria, inspirados no desalento e abandono destas ruínas, e são tantas, que tão bem fotografa...
    Só posso contribuir com uma palavra de alento e com a certeza de que melhores dias virão, é sempre assim.
    Não desista!

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  15. Don Gaston! Lamento muito que tenham roubado as suas canas de pesca. Não tenho hipótese alguma de contribuir nem com «cunhas» ou «cunhado». Só lhe posso desejar «a Luz» que todos necessitamos nesta fase que atravessamos de quase obscurantismo.
    No entanto, com a sua experiência, trabalho feito e um pouco de paciência, a vida ajuda quem de si cuida.
    Já divulguei o seu RUINARTE e vou divulgar este post também.
    Chegou a fazer a tomatada? :)
    Um abraço solidário.

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  16. Persistência! E parabéns pelas Bienais.

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  17. Do Palácio de Belém a S. Bento todo o país é hoje uma ruína completa; e não estou a fazer piada política,não. Os IPAR´s também estão e são fontes inesgotáveis de mais e mais ruínas.
    É a "ética republicana" em todo o seu maravilhoso esplendor.
    Melhores tempos virão,um abraço sincero.

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  18. Caro Gastão,

    Partilho consigo o gosto por estas duas formas de arte, a fotografia e a história/arquitectura/património em ruínas deste nosso pais ainda à beira mar plantado... No meu caso o prazer que estes me dão é perfeitamente amador.

    Infelizmente não conheço forma de o ajudar a não ser pela divulgação do seu trabalho e pela partilha de informações de locais mais a norte para quando puder voltar em força ao trabalho que tanto apreciamos.

    Espero que esse dia chegue brevemente.

    Parece que nos está no sangue, perdermos aquilo que conquistamos que, em muitos casos, nos custou tanto a conseguir. A minha mente lógica recusa-se a aceitar isso mas acredita que "what goes around comes around".
    Assim seja!

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