quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Palácio da Quinta dos Alfinetes ou do Condado - Chelas

Já tinha “postado” este palácio, que erradamente me tinham dito e corroborado por várias vezes que se tratava do Palácio do Marquês de Abrantes, após uma breve pesquisa descobri muitas coisas sobre a sua história que partilhei convosco erradamente...mais tarde descobri que se tratava de uma troca de identidades, afinal era Quinta dos Alfinetes....voltei às  pesquisas que se tornaram exaustivas sem nada conseguir saber além do seu nome, nome esse que foi alterado ao longo do tempo. É um edifício de traça barroca final, aliás um excelente e raro exemplar lisboeta deste magnífico e rebuscado estilo. Tendo em consideração que maior parte dos edifícios desta corrente de arquitectura ruíram em 1755, tendo sido adoptado na reconstrução da cidade o estilo neoclássico e pombalino é fácil concluir que este palácio é uma raridade arquitectónica.

A minha visita a esta ruína foi um tanto caricata, tinha chegado ao fim da tarde e havia já pouca luz. Depois de o abordar pelo exterior, tentei subir o muro para ter acesso a outras perspectivas, mas este era alto para descer sem uma escada e ainda pior de subir... chovia e fazia vento quando lá estava pendurado  e enquanto me decidia ou não a invadir a propriedade...até que o vento levou o meu chapéu e ajudou a ultrapassar esse dilema...tive mesmo de saltar!!! Voltarei em breve para melhorar as condições de luz que eram praticamente inexistentes...

Este palácio é também uma das maiores incógnitas deste bairro, foi baptizado como Palácio do Condado e mais tarde chamaram-no de Quinta dos Alfinetes, por lá ter supostamente funcionado uma fábrica de trefilaria.Não se sabe de quem é a autoria deste projecto, nem quando foi construído. É muitas vezes confundido com o palácio do Marquês de Abrantes, talvez por este ser referido como um hipotético proprietário. O seu primeiro inquilino segundo consta, foi  António Joaquim Correia Monção que nele se instalou em 1762. De toda a informação que recolhi dispersamente, há também a hipótese de ter pertencido ao duque de Lafões e ao Convento dos Lóios. No Séc. XIX foi convertido em trefilaria, fabricava alfinetes e afins, era a Fábrica Estrela que pertenceu segundo consta a José Júlio Pereira de Morais, 2º visconde de Morais. 

Ali funcionou também entre 1910 e 1935 os escritórios das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, tendo sido nesse ano vendido à Caixa Geral de Depósitos. Foi vítima de um incêndio em 1964 e desde então que está no limbo dos palácios, chegou a ser oficina de automóveis até que foi doado à Fundação Luso Brasileira para o Desenvolvimento da Língua Portuguesa, iria ser reabilitado e os terrenos adjacentes tinham um projecto de Óscar Niemeyer , infelizmente faltaram as verbas e esse projecto não passou dos alicerces e foi então devolvido à CML... uma vez mais o palácio foi abandonado...


A  “porta de armas” é de uma imponência majestosa mantendo o palácio numa recatada privacidade, entra-se depois num corredor ladeado pelas antigas cavalariças que nos conduz a um enorme pátio, a sua graciosa fachada enfeitada com requintadas peças cantaria  nas janelas do piso superior, que perfilam com frontões alternados, além de um rendilhado no eixo central portal janela, dando-lhe uma harmonia e nobreza que o distingue das outras quintas daquele bairro, os seus alçados também são ricamente decorados pelas molduras das janelas, sendo de sacada as do piso superior.




2 comentários:

  1. Tenho algumas informações sobre esta casa, designadamente na transição do séc XIX para o XX.
    domingosmachado@yahoo.com

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  2. Sobre o Palácio Marqueses de Abrantes em Marvila encontrei esta referencia na Internet, talvez contactando a instituição e seus arquivos se consiga mais informação:

    "A Escola Superior de Educação de Lisboa (ESEL) foi criada em 1979. Herdeira pedagógica de duas instituições de formação de educadores e professores - a Escola do Magistério Primário de Lisboa e o Instituto António Aurélio da Costa Ferreira, podemos mesmo considerar que as raízes da ESEL remontam ao reinado de D. Luís, ao ano de 1862, quando foi criada a Escola Normal Primária de Lisboa. Instalada no Palácio dos Marqueses de Abrantes, em Marvila, esta Escola admitia apenas alunos do sexo masculino. A Escola Normal Feminina, localizada no Calvário, iniciou a sua atividade no ano de 1866. A partir de 1919, as duas Escolas Normais fundiram-se numa só e passaram a funcionar em regime de coeducação."


    http://aeiou.guiadoestudante.pt/ge-curlist2.asp?tipo=3&design=Ensino+Superior+P%FAblico+Polit%E9cnico&inst=197&design2=Instituto+Polit%E9cnico+de+Lisboa&fac=644&design3=Escola+Superior+de+Educa%E7%E3o+de+Lisboa

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