quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Quinta da Granja de Baixo - Benfica


Quantas vezes terei eu passado por este local e nunca tinha reparado nesta ruína?? Por vezes e por andarmos com os olhos na estrada, perdemos a oportunidade de apreciar a paisagem...Como tenho andado mais atento às ruínas e aos Prémios Valmau, da última vez que passei perto da 2ª Circular , vi com assombro esta despercebida e curiosa quinta. Embora esteja evidenciada no cimo de uma colina, o seu protagonismo é abafado pelos edifícios circundantes, o Colombo, o Estádio da Luz e um sem fim de “mamarrachos” que desviam as atenções deste palacete.


 Foi recentemente reabilitado o jardim que o delimita, deixando pela suave encosta um espaço para horticultura, actividade que é  um dos últimos vestígios de costumes ancestrais que ainda perduram em Lisboa...


Já tinha notado a enorme Quinta da Granja de Cima, que é uma propriedade agrícola mesmo no centro da cidade, pensei que o acesso fosse por lá e aproveitei para “bisbilhotar”...perguntei a um simpático locatário que me explicou que essa era a Quinta da Granja de Baixo e a entrada era noutro local.


Quando finalmente a encontrei , contornei o muro entrei por um portão de lata preso por arames e com uma tábua podre para o manter em pé, entrei e dei com um mal humorado horticultor que sabia muitos palavrões... Quase que queria que eu lhe pagasse uma indeminização pelos “estragos” na “porta de armas” da sua furtiva horta...afastei-me para não ter de o aturar, além de que as enxadas batem com mais força do que câmeras fotográficas...


Acabei por dar a volta e entrar pelo jardim que ainda não tinha sido inaugurado, trepei colina acima e entrei finalmente na propriedade...era uma casa de quinta com traços de barroco jesuítico, austera e despida de  ornamentos, com uma cantaria simples e bem conservada. Tem por cima do portão um nicho que outrora deve ter albergado uma santa. Um túnel que atravessa o corpo do edifício leva-nos a um soalheiro terraço  que serviria certamente para as manobras de carruagem e com uma vislumbrante e invejável vista sobre o Colombo, coisa que os seus antigos proprietários tiveram a sorte de não suportar...há ainda um pequeno jardim com um poço, que por ser demasiado exíguo não permite grandes enquadramentos.


Tem no andar superior algumas salas em relativo bom estado e com áreas que nos tempos de hoje se podem considerar generosas, embora não seja engenheiro parece-me que toda a estrutura está consolidada e não ameaça derrocada...há rumores que a querem recuperar...esperemos que seja para breve...
Encontrei a sua cronologia no http://retalhosdebemfica.blogspot.com , a qual tomo a liberdade de apresentar.

Nos finais do século XVII, a Quinta era propriedade de D. Inácia da Cunha, que a deixou a sua sobrinha D. Susana Barbosa de Lima, que a terá vendido a João Coelho de Melo, testamenteiro de sua tia.
Em 1703. João Coelho e Melo mandou edificar o edifício que teria dois pisos, cujas divisões se abririam em volta de um amplo pátio interior, bem ao estilo mediterrânico.
Em 1795 D. João Pedro da Câmara adquiriu a quinta que quase um século depois em 1884 foi comprada por D. Duarte Manuel  de Noronha, registado como sendo o último proprietário.

 

3 comentários:

  1. Eu hoje tambem lá fui com as minhas amigas mas nos entramos por um boraco aquilo e mesmo um 'palacete' a 2º vez que la fomos foram uns miudos atraz de nós´, nós começamos todas a gritar mas eles tambem só criam ver a casa depois apareceu lá um homem deve ter sido o mesmo ue o teu ele metia medo aindapor sima era ca um 'estupido' ele a ti disse que tinhas de pagar uma indeminização a nos nao chamou a policia e a policia tava lá no rua de baixo mas nos saimos e ninguem notou.
    depois quando cheguei a casa fiquei muito curiosa e persebi que o sitiu onde nos tivemos é muito importante e pena e tar naquele estado com um jardim tao bonito ao lado e com o colomo

    Gostei muito de teu blog

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  2. Parabens pela descrição tão exacta da Quinta e pela interessante noticia.
    Já agora aproveito para informar que a Quinta vai ser reabilitada, em principio começando as obras já este ano e será a associação do Sindrome de Asperger que ficará a gerir o espaço, se bem que sempre com uso para o público em geral.
    Continuação de boas e interessantes descobertas.

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  3. incrivel vejo-a tantas vezes ao longe e nunca pensei qeu fosse tao importante! gostei! a gente mesmo parvas...

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