sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fábrica dos Cabos de Ávila





Foi a primeira ruína industrial que fotografei para o projecto "Ruin'Arte", não esperava encontrar tanta fotogenia. Entre linhas de pura arquitectura, um espaço vazio e parado no tempo, os vestígios industriais abandonados lembrando um cenário de Ettore Scola,  havia a sujidão e a imundice que eram testemunhas da presença assídua de uma comunidade de sem abrigo, havia cheiros e barulhos que me mantinham em constante alerta, um ambiente estranhamente nostálgico pelas memórias da fábrica que contrasta com as paredes garridamente ilustradas  por genuínas obras de arte de mestres grafiteiros livres... trauteei  Pink Floyd, sei lá porquê...





Deu uns resultados extraordinários (modéstia à parte), foi de longe a maior reportagem que fiz, e mesmo assim deixei de editar algumas imagens, pois já tinha superado a cota de produção por edifício.




Designação
Cabos de Ávila
Localização 
Estrada Nacional nº117
Freguesia / Concelho / Distrito
Amadora / Lisboa
Função
Indústria de Cabos Eléctricos: edifícios industriais-administrativo-sociais
Época
Memórias Descritivas em 1952 e 58
Breve Caracterização
Autor: Arqº Edmundo Tavares






A opção por um terreno organizado num eixo longitudinal junto a uma importante via de saída de Lisboa corresponde a um período de ampliação e afirmação económica desta fábrica de cabos eléctricos. Incorporando uma moderna produção, de alguma forma pioneira para Portugal equivalendo à grande fase da industrialização indissociável da electricidade, esta unidade fabril não se impõe nem procura uma consonância com os novos valores estéticos de uma arquitectura modernista que de algum modo propagasse e anunciasse essa nova era mental e comportamental.





O volume dos laboratórios aproveita o declive do local que recebe este oblongo corpo, de cobertura em terraço, marcado por fortes linhas horizontais conformadas pela modelação ritmada das janelas. A inserção de dois funcionais volumes verticais – vão de escada e torre de suspensão de cabos – marcados por uma grelha que subtilmente indicia a constante luminosidade, giza um diálogo formal equilibrado entre o peso deste maciço horizontal interceptado por estas linhas verticais, adivinhando os princípios de alguma modernidade plástica.
Deolinda Folgado/ Docomomo Ibérico
Junho 2002
Classificação
Sem protecção

fonte : IPPAR

2 comentários:

  1. conheço este sitio, e so soube o que era depois de uma reportagem no jornal da noite... tristeza...

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  2. Estive no interior do edificio na passada sexta-feira, e tudo está igual as fotografias.Em diferentes locais,encontrei vestigíos de que mais que uma pessoa dorme ou dormiu lá.O sentimento de estar num local que por um lado evidencia um vazio total, apesar de ter marcas de presença humana por todo o lado, mas por outro lado está tão perto da multidão(zona comercial)é bastante estranho, mas ao mesmo tempo de liberdade.

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