quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Palácio Almada Carvalhais - Lisboa



Este imponente palácio está situado no Largo do Conde Barão e sempre me chamou a atenção pelo tamanho, traça, estado de degradação e pela utilização que lhe deram ao longo destes últimos anos. Foi explorado como discoteca , lojas e armazéns, alberga hoje uma garagem...é difícil de entender como se dá licença de exploração a actividades que degradam os edifícios históricos e desvirtuam a sua índole. É hoje propriedade da CGD e sei que há um estudo para o reabilitar, aguardamos os resultados.



Não queremos deixar de referir que foi aqui, neste Palácio em finais do século XIX, até1923 que existiu a «COMPANHIA NACIONAL EDITORA», infelizmente desaparecida.Nestes últimos anos esteve, também, instalado no Palácio dos «ALMADAS-CARVALHAIS» o «CASA PIA ATLÉTICO CLUB - ATENEU CASAPIANO» (negociada a saída deste Palácio até 31 de Agosto de 2005). Existia ainda uma Biblioteca-Museu Luz Soriano na sede do Clube desde 1939 a 2005. Esta biblioteca foi fundada pelo antigo casapiano António Bernardo profissional dos CTT, que se distinguiu também na pintura e BD.Tivemos conhecimento que este edifício já está classificado como Monumento Nacional desde 1920. Foi alvo de profundas obras de restauro no século XVIII. Da primitiva traça conserva-se o túnel de entrada com abobada de arestas forradas de azulejos seiscentistas. No pátio ainda se pode ver o claustro renascentista.




No Largo do Conde Barão, logo a seguir à Rua das Gaivotas, para poente, um prédio cujo arco de entrada nasce de um pequeno ângulo desenhado no alinhamento urbano. Foi a entrada da «GARAGEM CONDE BARÃO».Nesse pedaço de fachada da casa apalaçada seiscentista, encontramos uma Torre de cantaria, e na janela de volta redonda que fica sobre o portão, sobrepujada do brasão dos Almada-Carvalhais.Este solar foi pertença em meados do século XVII dos Provedores da Casa da Índia (ALMADAS), «D. CRISTÓVÃO DE ALMADA», que sucedera no cargo de Provedor a seu pai, o fidalgo «RUY FERNANDES ALMADA». Por casamento advém-lhe a união das duas famílias e casas (ALMADA-CARVALHAIS).

Os vestígios deste Palácio são curiosos. A entrada em rampa, mostra ainda as pilastras e os arcos de cantaria em volta perfeita. À direita um formoso arco de volta abatida, abre um delicioso claustro da Renascença, ao fundo do qual sobe a escadaria nobre do Palácio, hoje prédio de rendimento, indiferente às belezas do passado.Tem o claustro três faces, adornadas, a do fundo de três arcos, e as laterais de quatro arcos, apoiadas a colunas de lindos capitéis lavrados; uma das ordens laterais de arcarias está entaipada com um barracão saliente que os encobre, e a outra está visível, mas a parte do seu interior foi ocupada por uma oficina de imprensa a «OTTOSGRÁFICA, LIMITADA».

Voltando à rampa de entrada, ela segue em direcção à garagem, uma passagem, revestida de curiosos azulejos setecentistas nos dois tramos de abóbada, apoiados em belas pilastras nuas.Sabe-se que foi aqui a cozinha da casa, no tempo em que o local da garagem constituía o jardim do Palácio do Provedor da Casa da Índia.Este jardim, de que não restam notícias escritas, e ficará apenas esta nota, era guarnecida de algumas estátuas e azulejos, alguns do tipo dos da Bacalhoa (Azeitão), Vila onde os Carvalhais tiveram uma casa, a qual se extinguiu com último representante da família.

Conta-se que o marquês de Pombal aqui passou a noite de núpcias.

2 comentários:

  1. Este é um edifício pelo qual sempre me interessei. Pode por favor indicar as fontes em que baseia as afirmações relativas à localização da cozinha, às estátuas do jardim e à noite de núpcias do M. de Pombal? Obrigado. Rui Barroso

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  2. As referências encontram-se nas Peregrinações de Norberto Araújo, escrito em 1938, excepto a que diz respeito à noite de núpcias do Marquês de Pombal.

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