segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Solar da Quinta de São Gabriel - Caparica




Noutra incursão pela margem Sul, um dia avistei um solar em ruínas, depois de uma  série de voltas consegui encontrar a rua que o servia. Entrei na propriedade onde encontrei numa das alas do palácio, um cabo verdiano com pinta de alienado que dizia ser o proprietário. Fiz-lhe uma série de perguntas relativas à casa às quais respondeu com pouca vontade e alguns grunhidos, além de pouco sociável era também um grande malcriado...depois de ter fotografado a propriedade chegou uma outra locatária desta ruína a quem tentei extrair algumas informações...esta revelou-se uma senhora em todos os sentidos, embora fosse uma indigente a viver na pior das condições de higiene e segurança. Apresentou-se com um nome de grande peso social, contou-me o seu passado e as suas desgraças que a levaram aquele estado de degradação... foi roubada, espoliada e enganada diversas vezes, o que a levou a uma ruína ainda mais grave que aquela em que habitava...tratava-se de uma senhora de "sangue real" que a fortuna abandonou, ou o karma a empurrou para a desgraça. A sua guerra com o vizinho era diária e perigosa, acusou-o de ter roubado todo o espólio da quinta, os azulejos, o gradeamento, as telhas e tudo o mais que conseguiu converter em moeda, além de a ter incendiado. Era ameaçada fisicamente e ofendida diariamente por aquele energumeno,  cheguei a ter de me interpor entre as ameaças que lhe fazia, ameaçando-o eu próprio. Convidei-a para almoçar e contar melhor a sua intrigante história...fiquei pasmado com o seu testemunho... embora não tivesse visto o seu BI, sem por isso poder corroborar a sua identidade, a  distinção, cultura, educação e experiências relatadas confirmavam a sua veracidade. A ela dedico este post, à  Sra. D. Maria de Bragança e sua malfadada sorte...
 





Arquitectura civil residencial, romântica e revivalista.
Solar de planta longitudinal, com 2 corpos adossados lateralmente, com 2 alpendres com colunatas, conferindo-lhe uma aparência apalaçada.

As fachadas desenvolvem-se no sentido do comprimento, são ritmadas e têm um grande sentido de harmonia pelas horizontais da cornija e pelas pilastras pintadas que dividem o espaço em diversas secções. O telhado do edifício adossado ao torreão direito é de influência oriental. É de notar a utilização de sancas de madeira a rematar todos os telhados, bem como as janelas de ângulo, nos corpos laterais.

5 comentários:

  1. oi, passei pra conhecer o blog, e desejar boa semana
    bjss

    aguardo sua visita :)

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  2. Boas Caro Português
    Lisonjeio este blog, e doulhe os parabéns por tamanho interessante exposição de conhecimentos que aqui os aplica... Entristece-me porém o descuido a que os nossos valores arquitectónicos estão expostos nesta nossa política nacional... Vejasse bem, um vagabundo vindo de uma ex colonia nosssa dizersse proprietário de um espaço tão nosso... ao ponto a que chegamos... estamos mesmo no fundo do poço, e a darmos à morte todos os nossos valores... Mas desgostos à parte, os meus parabens pelo seu blog... e boa fortuna na sua vida

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  3. OLA.....
    Aqui escreve a Stephanie Ferreira a filha do propriatario desta casa. O meu Portuguese nao e bom porque estou a viver em USA ja a 25 anos. Gustava imenso de falar com sigo porque essa senhora nao e a propriataria e so contou mintiras.

    WIsh I could explain this in Portuguese BUT this home is owned by my parents who live in the USA. This "summer home" has been burned and vandalized over the years and we have never brought ourselves to sell it. You pictures are beautiful BUT if you are looking for the "REAL STORY" and REAL OWNERS here we are.

    -Stephanie

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  4. Esse Palacete ou Solar como lhe queiram chamar, era meu, comprou o meu marido na altura em que casamos!
    Estava integrado numa quinta de lavoura, o meu marido nessa altura levou aqui do Alentejo várias pessoas para aí trabalhar, mas passado uns anos vendeu o terreno para urbanização, ficou o palacete que foi vendido separado e uma casa de caseiros que não tinham onde morar. entretanto o terreno da quinta foi urbanizado e o Palacete ficou, estava pintado de rosa e em muito bom estado, eu vivia em Almada e nunca quis viver aí, fiquei sim com o espólio, basicamente quadros e um foral passado por D. Manuel.
    Anteriormente a Quinta tinha pertencido a um Senhor chamado Gabriel por isso o nome, foram os herdeiros que venderam ao meu marido. já não tenho a escritura mas ainda está com toda a certeza nos registos da Câmara de Almada, quem quiser pode ver o meu marido erae, digo era porque já faleceu um industrial da confecção em Almada.
    desconhecia por completo o estado do palacete e fico chocada como ficou nesse estado e os anteriores donos não terem feiro nada para o preservar nem o estado, há uns anos atrás alguém me disse que era património nacional, agora encontro isto.
    confesso que até chorei.
    para comprovar o que aqui digo o nome do meu marido era Gaspar Gomes Cano, basta ir à Câmara e comprovar isso.

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  5. Sei também que na altura o palacete foi vendido a uma família emigrante, portanto as pessoas que se dizem donas estão apenas a ocupar o sitio.A Câmara de Almada nada faz.

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